domingo, 7 de fevereiro de 2010

Revolutionary Road

Foi apenas um sonho
e algo mais...



Kate e Leo não vieram apenas para serem os mocinhos. Merecidamente, ela leva o Oscar por The Reader. Poderia também ser por Revolutionary Road.

Em 1998, a química entre Kate Winslet e Leonardo DiCaprio rendeu um encanto especial às telas de cinema. Foram 11 Oscars para Titanic, visto e revisto incansavelmente pelos fãs apaixonados (eu fazia parte desse grupo). Num curso de extensão em antropologia, na Unesp, redigi um trabalho (com seriedade, juro) sobre o “fenômeno Leo DiCaprio”. Eu só queria pensar no filme, muito mais no romance do que no navio que naufragava. Pensar nas emoções, intenções e intensidades, entender as metáforas. Queria viver o filme, mas sem naufragar. Atire a primeira pedra quem nunca desejou o melhor dos lados.

Assistir a Revolutionary Road, inevitavelmente, traz um revival de Titanic. E, de repente, uma indagação sombria: se Jack sobrevivesse, teriam ele e Rose se tornado um típico casal americano ao modo de Frank e April Wheeler? Não, acho que não. J&R tinham o brilho e o fogo de viver que os Wheeler almejavam. Era isso que faltava ao segundo casal. Nas palavras de James Cameron, “the kind of love we all dream about, but seldom find”. Raramente. Será que, como em Revolutionary Road, só os loucos (ou os muito corajosos) podem ou conseguem dizer a verdade? Talvez. (o velho princípio de que loucura e responsabilidade são incompatíveis, lembraria Foucault - ver A Evolução da Noção de “Indivíduo Perigoso”)

April tentou gritar. Frank tentou ouvir. É tão triste que não tenham conseguido. Ressalvados todos os defeitos de ambos, acho que se amavam. Love, not hate (love and hate?). Mas sem entendimento.

Compreendo-a. Não disse que a isento ou aprovo, apenas compreendo-a. Eu teria lutado com mais forças pelo amor e pela vida, mas o que mais poderia uma mulher na década de 1950? Acho que ela desistiu quando ouviu dele que poderia buscar ajuda terapêutica para curar o vazio. Também o compreendo. Ele só queria cumprir o que supunha ser seu dever.

Quem consegue conforma-se. Quem não se conforma rebela-se, vai a extremos: sofre ou persevera (ou as duas coisas, alternadamente). Acredito verdadeiramente que valha a pena viver e lutar. Ninguém está dizendo que é fácil.

O papel de parede amarelo. Lembrei-me desse conto que tão bem descreve a que ponto pode chegar a incompreendida emoção feminina. The Yellow Wallpaper, de Charlotte Perkins Gilman, tido como um dos precursores da literatura feminista americana. Uma das aulas mais marcantes da professora Valéria Biondo no meu curso de Letras!

Triste a vida da mulher que tem suas emoções tolhidas. Se tudo é proibido, se tudo é impedido, só resta a obsessão pela única cor que se tem à frente. A cor ganha cheiro, ritmo, vida. Porque todas as outras cores lhe foram negadas.


Mesmo diante de um iceberg... If you are here, there’s nothing I fear!



But if you are far... or if you don’t understand... Tudo é “vazio e sem esperança”.

Postado no meu blog do UOL em: 26/02/09

Um comentário:

  1. Comentários recebidos:

    [Rody] [rodrigo22oliveira@yahoo.com]
    Cheri, é sempre difícil comentar em seu blog, pelos caminhos complexos que nosso raciocínio se envereda por aqui. Mas vamos lá! Kate e Di Caprio, como eu disse em comentário anterior, têm uma química incrível. O casal é de 'afundar qualquer barco'! rs. Ele merecia louros pelo filme (incluindo o Oscar). É muito melhor que Sean Penn em 'Milk', ou Mickey Rourke em 'O Lutador' (sobrevalorizado!). E ela ganhou o Globo de Ouro pelo filme certo (esse) e o Oscar pelo filme errado ('O Leitor', numa personagem má com uma carga de maldade que qualquer atriz razoável poderia imprimir). 'Revolutionary Road' é o filme do ano. Dirigido pelo marido de Kate Winslet, o Sam Mendes, que parece estar se especializando em crônicas sobre o cotidiano da classe média americana, vide 'Beleza Americana'. Mas o problema do filme é exatamente Sam, que também ganhou Oscar pelo filme errado. E os olhos do mundo se fecharam para a história certa. Bom saber que pessoas como você perceberam a ponto de render homenagem.
    09/03/2009 03:05

    [Robertinho Coletta] [robertinhocoletta@bol.com.br]
    Legal seu Blog, professora!! Vou passar sempre que puder por aqui! Abraço
    02/03/2009 16:44

    [Rodrigo RYAN Piscitelli] [rodryan76@hotmail.com] [www,rodrigopiscitelli2.blogspot.com]
    Esta postagem me fez voltar no tempo...
    02/03/2009 14:29

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