domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sweeney Todd

O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet


Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street. Warner Bros Pictures.
Realidade e fantasia. Convencionalidade e estranhamento numa Londres dark do século XIX.

“Mandei fazer de puro aço luminoso punhal
Para matar o meu amor e matei
Às 5 horas na Avenida Central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer”
(Caetano e Gil, na voz de Marisa Monte)


Escorre sangue da tela, vermelho de paixão. Alguns amigos me falam que o filme não é meu estilo. E quem disse que estilos são fixos? Realmente, minha balança pende para um lado mais ‘sweet’, mas sei reconhecer o valor de um Tim Burton e de uma parceria que nunca falhou (Burton + Depp).

Tenho a sensação de que o filme tem sua carga de violência amenizada pelas canções. Burton não concorda comigo, pois disse em entrevista: ‘Acho que a música torna o filme ainda mais assustador’ (FSP, Ilustrada, 08/02/08). Ele deve ter razão, já que é o diretor. Em realidade, o encantamento da música intensifica a atmosfera sombria, ao mesmo tempo em que a camufla. Eu é que romantizo, sometimes... Gosto do cavalheirismo de Em Busca da Terra do Nunca. Ainda não perdi toda la ternura.

Não vou avaliar a atuação dos atores como cantores, pois não tenho formação para isso. Tampouco isenção. Para mim, a voz de Johnny é sempre música aos ouvidos, mesmo proclamando estripulias de pirata. E, para não dizer que o longa não comporta algum momento ‘meigo’, tem-se as lembranças do passado. E, ainda, um marinheiro e uma donzela.

Ao ver o barbeiro Todd, você vai se lembrar de Edward... No reencontro com sua navalha, diz: ‘Finalmente, meu braço está completo’. É como se o Edward – que era muito mais inocente – tivesse ‘crescido’ e se transformado em Sweeney, o vingador. Pelo que Burton declara em entrevistas, algo a ver com a visão menos otimista do cineasta em relação ao mundo.

Sweeney Todd já foi um musical da Broadway. Nas telonas, com direção de Tim Burton e estrelado por Johnny Depp (Sweeney Todd) e Helena Bonham Carter (Sra. Lovett). A temática da vingança não é nova no cinema (lembre-se de O Conde de Monte Cristo, por exemplo). Mas, aqui, o efeito é inusitado.


Johnny Depp em Edward Mãos-de-Tesoura, anos 80. Além de Edward... e Sweeney Todd, Depp e Burton trabalharam juntos em Ed Wood; A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça; A Fantástica Fábrica de Chocolate e na animação A Noiva Cadáver.



Johnny LINDepp (ops...) em Em Busca da Terra do Nunca.
Para não dizer que ele não falou de flores!

Postado no meu blog do UOL em: 12/02/2008.

Um comentário:

  1. [Rody] [rodrigo22oliveira@yahoo.com]
    Fiquei com dó dele ter matado a esposa no final. Ops! Spoiler! Não pode, né? rs. Brincadeiras à parte, a estética de Burton já vale o ingresso, com Depp cantando mal ou apenas calado na tela.
    29/02/2008 18:28


    [Geovana] [jorvana13@gmail.com]
    Olá! Recebi o endereço do seu blog através do e-mail da Unicamp! Nossa, adorei conhecê-lo! Os seus textos são muito enriquecedores e fico feliz de saber que agora há mais uma opção na blogosfera que possa contribuir para as minhas reflexões sobre coisas que tanto gosto: livros, cinema e linguagem! A propósito, sou estudante do 3º semestre de Letras na Unicamp :) Um abraço! Continue escrevendo e eu continuarei te visitando.
    18/02/2008 15:33

    [Sue Ellen ] [sueellen.cruz@gmail.com] [sueellencruz.blogspot.com]
    Coincidentemente, tb falei de um filme no meu blog, mas não é estréia! heheheh Aii.. Em busca da terra do nunca é um dos meus filmes preferidos!! História linda, ator lindo.. e o humor do Deep, pra mim, é o melhor! hehe
    14/02/2008 00:30

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