domingo, 21 de março de 2010

Susan Pinker

Entrevista de Susan Pinker, autora de "O paradoxo sexual", precisa ser lida com cautela. O assunto é polêmico. É preciso cuidado para o fato de que, ainda que se considerem diferenças biológicas, há, sim, interferência de valores sociais e culturais. E atenção! A autora diz, com todas as letras:

"Precisamos remunerar melhor as mulheres pelos trabalhos que elas preferem. Ou seja, começarmos a pagar aos professores tanto quanto pagamos aos engenheiros. "

Ou seja, não é que as mulheres aceitem/gostem de trabalhos menos remunerados, mas que aqueles com os quais se identificam (inclusive, em termos de jornada de trabalho) é que não são reconhecidos e devidamente valorizados.

É preciso valorizar os valores femininos: "não se trata apenas de cuidar dos filhos, mas também de ter uma vida mais equilibrada. Para as mulheres, a vida não é apenas trabalho, salário e promoções, ao contrário do que pensam muitos homens, que acham que tudo isso vale a pena quando compram um novo carro."

Além disso, não há regras fixas. Uma mulher pode ser bem-sucedida e feliz numa carreira "tradicionalmente" masculina, e vice-versa: "Eu sempre deixo claro que cada pessoa é um indivíduo único. Ciência é estatística, pessoas são únicas. Então, quando você estuda ciência, está analisando probabilidades. Sempre existirão exceções."


Ver entrevista na Íntegra:
Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u709956.shtml

Valentine's Day


Taylor Lautner em Valentine's Day (Idas e Vindas do Amor): "Não me sinto à vontade tirando a camisa em público".


E em New Moon. Considerando a intertextualidade entre os filmes, a fala acima ganha uma conotação de ironia e humor, não?

Uma comédia romântica para relaxar a cuca no fim de um sabadão com 8 horas de aula na pós. Para lembrar que o amor e suas loucuras afetam todas as idades.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Remember me


Remember me (Lembranças), dirigido por Allen Coutler e distribuído por Paris Filmes

Se as fãs da saga Crepúsculo forem levadas ao cinema pela presença do astro Robert Pattinson, terão oportunidade de ver um outro tipo de filme, mas ainda um pouco do Edward, o vampiro introvertido, apesar de sua força. O ser humano ou sobre-humano torna-se pequeno diante do sentimento mais intenso do mundo, o amor. Mas vamos a Lembranças.
Gosto de filmes introspectivos. É um mergulho na introspecção seguir os pensamentos do jovem Tyler Roth, vivido por Pattinson, atordoado pela morte do irmão; da garota Ally (Emilie de Ravin), traumatizada pelo assassinato da mãe; das fortes figuras paternas da história e da pequena Caroline (Ruby Jerins), a irmã devota e querida, punida socialmente por ter uma consciência que vai além de seus 11 anos. Aos tropeços, Tyler tenta fazer certas justiças com as próprias mãos. Nada é totalmente certo ou errado, pois, como se diz em literatura, as personagens são complexas, e não planas - dentro do possível para um filme adolescente. Não há heróis e vilões, mas seres humanos tentando acertar, errando. Isto é bom no filme. Talvez apenas Caroline seja inteiramente pura, pois carrega a inocência da criança, mas o longa aborda também o potencial para a maldade infantil, revelando que inocência pode ser um disfarce. Não importa que alguns ganchos sejam batidos, como o amor que começa meio que como uma vingança ou brincadeira de amigos e se torna verdadeiro. A maneira como se conduz é o que conta. Arte é mais o como do que o quê.
Quanto ao desfecho, os críticos, provavelmente, amaram ou detestaram. É inesperado, porém fica um pouco forçado na amarração da história, sem que chegue a estragar. Quero dizer, ancora o roteiro e surpreende, mas não como a peça perfeita de um quebra-cabeça. Essa opinião pode divergir.
Robert declarou em entrevistas que “não gosta de finais felizes”. Eu gosto. Mas, de fato, do ponto de vista da arte, o estranhamento incômodo gerado pela ruptura do ciclo de felicidade possibilita uma reflexão mais aprofundada do que o começo/meio/fim concatenado do “felizes para sempre”. Os contos de fadas prometem felicidade e terminam a história no altar, o que causou a frustração de gerações. Talvez, hoje, os casais sejam mais felizes, pois sabem que vão enfrentar crises. Eu sei. E é assim que eu amo.

Remember Twilight
Por falar em Robert Pattinson, como apontado por matéria da Veja (23/12/09, ed. 2144), a saga Crepúsculo estaria de algum modo resgatando um romantismo da juventude da era do ficar. Uma juventude que não chega ao amor romântico via Shakespeare ou Camões, mas Stephenie Meyer. Melhor do que o vazio. Não é de todo mau popularizar o amor, não? E Robert integra esse momento. Com Lua Nova, divide espaço com (e até perde em algumas pesquisas de opinião para) Taylor Lautner. Quem leu os livros costuma tomar posição entre o romantismo cavalheiresco e protetor de Edward e as molequices descontraídas de Jacob. A balança tende a pender para Edward (Robert) na ficção, simultaneamente, para Taylor (o Jacob), na vida real. Taylor tem um sorriso carismático praticamente invencível. E as pessoas, por contraponto, começam a dizer que Robert é antipático. A introspecção soa antipatia no mundo a la trio elétrico. Só porque ele não está sempre sorrindo. Surgem boatos de que não gosta de mulher, de que cheira mal. Será?

Folhateen (1/3/10), em uma entrevista com ele, publica:

“O cabelo bagunçado estava sem cera. Quer dizer, sem cera cosmética: um sutil cheiro de sebo pairou na sala durante os 15 minutos de papo. Pode guardar a água benta: Robert Pattinson é humano.”

É de se interrogar por quê um ator se deixaria entrevistar nesse estado.

Como ator, Robert caminha. Ninguém nasceu pronto. Tem o mérito de ter construído o personagem Edward sem tantas descrições disponíveis nos livros, como é o caso da narradora Bella, cujos pensamentos são todos traçados por Meyer. Pode ter lido o inédito “O sol da meia noite”, mas tem sua parcela de criação. Talvez Remember me chame mais a atenção pelo astro do que por si mesmo. Mas esses caminhos alternativos são os que podem surpreender.

domingo, 14 de março de 2010

Isto não é um manifesto

Eu não gosto de enquadramentos. Nem de horários, mas sigo-os porque necessário. Não simpatizo com Dilma, nem depositei minhas esperanças no Lula, nem por isso deixei de torcer por seu governo, pois assim estaria torcendo por meu país. Não disse que não gosto nem que gosto, só que não depositei esperanças, nem descrenças. Eu não sofri qualquer decepção com os escândalos petistas porque nunca esperei a salvação. Também jamais acreditei que os escândalos começaram nesse governo e nesse partido, ah não! Eu não digo em quem voto, pois exerço o direito do voto secreto. Queria uma mulher presidente, mas esse não é meu critério de escolha. Como todo mundo, odeio pagar impostos, mas compreenderia se visse resultado, se não precisasse pagar meu convênio médico particular e se não visse idosos sem leito nos corredores de hospitais.

Eu não tenho paixões cegas. Eu não gosto de paixões cegas. Acho que as militâncias cansam, os exageros cansam. Falar incansavelmente de um só assunto cansa, mas quem sou para julgar as causas nas quais as pessoas acreditam? E eu acredito no direito de expressão. Abaixo-assinados e movimentos não deixam de ser um impulso de homogeneização, mas às vezes valiosos. Respeito as causas, assim como as diversidades. Só não quero sair pregando nada. Nem religião, nem política, nem futebol nem nada, nada mesmo. Com 16 anos, era boba e achava que acreditava em um partido político. Jovenzinha que era, achava que existia o MDB dos sonhos das Diretas Já e dos livros de história. Eu sou sãopaulina, mas creio que não vale a pena sofrer por futebol, que deveria ser algo lúdico para alegrar a vida.

Na causa da preservação do meio ambiente, eu acredito. Mesmo assim, não gostaria de me tornar repetitiva. Para mim, é pressuposto: poluir o ar é se matar e matar o outro, e o direito à vida está acima de tudo. Proporcionar queimadas me parece um dos crimes mais graves de todos. Não gosto de cigarro, mas não odeio quem fuma. Só não quero que fumem perto de mim, mas vou tentar falar menos disso, pois acho que todos já sabem (eu disse tentar). Gostaria de dizer que não gosto de fórmulas feitas, mas isso seria como dizer uma fórmula, vejam como é difícil. Mas o que não gosto mesmo é de visões fechadas: bonito X feio; claro X escuro; teórico X prático; Direita X Esquerda; Linguística X Semiótica; Apocalípticos X Integrados. Gosto de pluralidade e de visões amplas. Eu realmente não vejo graça em quem se contrapõe a um autor quando leu meio capítulo, mas também não vejo motivos para listar quantos livros se lê na vida. Vejo sentido em ler, apenas ler. Também em ouvir música, dançar, amar. Não gosto de esnobismo, mas pode haver quem me ache esnobe. Gosto da pluralidade. Vejo mais necessidade de consciência do que de leis, mas, infelizmente, vivemos no mundo da inconsciência e das leis.

Eu não gosto de viver num mundo em que o parecer se sobrepõe ao ser, mas é esse mundo que está disponível, então vivo. Eu não gosto mesmo é de falsa objetividade e da falsa pluralidade. Eu não gosto de falta de coragem de tomar posição. Uma matéria televisiva sobre possível lei contra fumar no trânsito: um entrevistado diz que “está certo”, outro que “é um absurdo” e o jornalismo cumpriu o seu papel. Cumpriu? Seu papel não era o “suposto” compromisso com a verdade? Já não existe uma lei que diz que se deve segurar o volante com as duas mãos, exceto para mudança de marcha? Precisaria de uma lei para falar ao celular, tomar sorvete, beber cerveja ou coca-cola enquanto dirige? Ainda tem quem jogue a lata de cerveja vazia no meio da rua, pela janela. É, eu não gostaria de me tornar repetitiva. Mas tenho sido movida a acreditar que, no mundo atual, não é exagero ter de repetir e repetir sobre a falta de bom senso e educação.

Entendo que ninguém é inteiramente mau ou inteiramente bom, mas creio que existam maldades que extrapolem. Jamais desejaria o mal a alguém, por mais que tivesse motivos para não gostar da pessoa. Não gostar, não ir com a cara não significa desejar o mal. Não gosto de mau gosto, por mais que o conceito de mau gosto seja relativo. Mau gosto, para mim, por exemplo, é tirar sarro de alguma fraqueza ou deficiência, como se todos não tivéssemos alguma. Mau gosto é zoar de coisa como a falta de um dedo do Lula. Caráter é denunciar a corrupção e não corromper. Gosto de coerência. Também acho mau gosto e infantilidade tirar sarro de idade, sendo que todo mundo, se tiver sorte, vai cruzar todas as décadas: os vintes, os trintas, os quarentas, setentas... Eu já achava isso aos quinze e continuo achando aos trinta. Acho que se deve respeitar a sabedoria e experiência dos mais velhos, assim como os mais velhos devem vislumbrar as ideias dos mais novos.

Odeio rótulos. Eu não sou socialista, nem direitista, nem egoísta, nem altruísta, nem ecologista, nem modernista ou cubista, nem qualquer ista. Mas tento ser coerente e acreditar no bem como posso, ainda que, em alguns momentos, o bem que está ao meu alcance seja não fazer nada para não atrapalhar. Incoerente é se dizer socialista e andar de carro zero, defender os artistas independentes e falsificar carteira de estudante para pagar meia, denunciar corrupção e dar um presentinho para conseguir algum benefício. Se eu pudesse, queria mudar o mundo, ainda que, como disse uma amiga sobre as aquarianas (terá algo a ver?), meus cabelos continuem desarrumados. Eu adoro os longos momentos em que me sinto poderosa, independente, inabalável, mas, como qualquer ser humano, também tenho fraquezas e, às vezes, queria ser “encantadora” “para que gostassem de mim”. Mas não adiantaria gostarem de mim se eu tivesse de ser perfeita o tempo todo. Não serviria. Quero mesmo é ser amada imperfeita, ao menos por uma única pessoa no mundo. E acho que sou por mais. Eu não gosto de fazer sempre a mesma coisa, mas a vida tem rotinas inevitáveis, outras deliciosas. Eu me apaixono todo dia pela mesma pessoa, pelos mesmos olhos verdes, pelo mesmo coração, de um menino tão perfeito e imperfeito quanto eu.

Não tenho a intenção de convencer ninguém de nada, mas busco levar às pessoas, através deste blog, assuntos que seriamente pesquiso e reflexões embasadas em meu olhar de analista. Blog não é best seller, mas eu escrevo, ainda que for para mim. Este texto ficou longo demais, mas só lerá quem quiser, por isso não deixa de ser democrático. Gosto da democracia. Décadas atrás, poderia ser banida só por um texto como este.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pelo ar que respiramos!


Morador observa fogo e fumaça em terreno atrás do prédio em que reside, região norte de Bauru

Não dá mais para ser passivo diante disso. Todos os dias, focos de incêndio em terrenos deixam o ar da cidade irrespirável, além do perigo de incêndio em residências próximas. A prefeitura precisa fiscalizar, multar. A população precisa se conscientizar, pois muitos destes incêndios são causados por cidadãos que também precisam de ar para respirar - mas não têm plena consciência disso. Só quero isso: AR para ter saúde. O resto eu batalho e conquisto com minhas próprias forças.

Tendo a cidade um prefeito jovial e ecologista em sua essência, espero que a Internet seja um canal para ouvir a população, comunicar-se com ela e atendê-la. Aliás, defendi o prefeito outro dia mesmo em meu twitter por ser criticado por usar o twitter. Tecnologia é ótimo. Ação mais ainda!

Segue cópia de mensagem que deixei no Orkut do prefeito Rodrigo Agostinho.
Escrevi no calor da emoção, mas quem disse que as emoções não são legítimas?

Prefeito Rodrigo, por favor! Resgate seu lado ecologista e ajude a combater o problema das queimadas em terrenos em Bauru. A prefeitura precisa cobrar, fiscalizar, multar, conscientizar. O direito coletivo de respirar ar razoavelmente puro está acima do capricho individual de quem usa essa maneira cômoda de descartar o lixo. Trata-se de algo verdadeiramente sério, que precisa estar no alto das listas de prioridades. Grata pela atenção a esta cidadã bauruense.