sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Estive em Veneza com Johnny Depp




I’m sorry. É a primeira fala de Johnny Depp em O Turista. Como assim? Desculpa-se por ser o astro que é ou um gentil e aparentemente abobalhado professor de matemática?
O diretor Florian Henckel também parece querer se desculpar pelo filme. Segundo a Folha de São Paulo,

Henckel diz que, mais do que profundidade, estava atrás de algo "divertido, cheio de luz". "Tinha passado um ano e meio escrevendo o roteiro de um thriller político quando Angelina [Jolie] me ligou. Achei que seria bom fazer esse filme antes de voltar para o universo escuro do meu próximo projeto, um filme sobre suicídio." (FSP, 21/11/2011).

Gente, por que tem que se justificar? É um filme delicioso e pronto. Assisto a todos os filmes com Johnny Depp, é regra. Nem por isso sou cega, reconheço que há atuações melhores do que outras, histórias mais e menos convincentes. Edward Mãos de Tesoura é talvez o meu mais querido Conto de Fadas. Em Don Juan de Marco ou Chocolate, eu me apaixono. Enigma do Espaço é um dos filmes mais toscos que já vi na vida. E assim vai.

Grande coisa piadinha de Ricky Gervais no Globo de Ouro. Como disse Renato Russo em 1988 (está registrado no livro Renato Russo de A a Z, Ed. Letra Livre, p. 25), tem hora em que a gente lê alguns artigos e pensa “Pô, esse cara, quando acorda, não deve nem sorrir para o sol nascendo”.

Tá, eu costumo acordar chatinha, porque precisava dormir mais. Mas aí, dirigindo, no caminho, lembro-me de que mais um dia está começando e isso já é uma dádiva. Vou ao cinema para ser feliz, não para buscar furos nos roteiros, falhas de cortes e de interpretação ou analisar o foco da fotografia. Eu sei curtir. Dane-se se os críticos consideraram uma rendição a Hollywood, uma diluição autoral do diretor. Passei duas horas divertidas, dentro de uma história de amor, vendo meu ator preferido e as paisagens lindas de Veneza, achando graça dos trejeitos de Jack Sparrow percorrendo telhados.

O enredo é facilitado? É. Se fosse vida real, os mocinhos-meio-vilões não driblariam tantas balas, como na maioria dos filmes de ação (alguém conhece um Indiana Jones real?).

A personagem de Angelina poderia ter escolhido outro cara no trem? Dificilmente. (Vem cá, leitora, você escolheria outro, se o Johnny Depp estivesse no vagão? Já se você é leitor, é tão certo que discorde disso quanto não abre mão de que o seu time é o melhor).

A química entre os protagonistas não foi das melhores? Acho que não, pelo menos nisso concordo com os críticos. O casal está longe de ser um Sr. e Sra. Smith (sorte de Vanessa Paradis, rsss)

Mas...

Imagine-se descendo de um iate para um baile em Veneza, sabendo que todos os desafios serão vencidos, porque, na ficção, isso é sempre possível. Até mesmo o enigma de poder amar verdadeiramente duas pessoas.

Angelina Jolie, para mim, era só um detalhe. Eu estive em Veneza e Johnny disse que me amava.
Antes, ainda tomei um café em Paris.
Adorei o Turista.

(PS: amor-fantasia não é traição)

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