domingo, 6 de fevereiro de 2011

Uma história de amor ítalo-brasileira


Verona - cenário do amor
E a sacada de Julieta


Foi num tempo em que não se imaginava que um dia haveria celular, computador pessoal e internet. Era sim um tempo de bravos soldados e moças à espera de seus amores. Em Verona, a romântica cidade italiana, cenário do mais famoso romance shakesperiano e inspiração do filme "Cartas para Julieta" (veja post "Uma dica romântica" neste blog).
Rosa Carolina tinha um namorado, mas estava sujeita a uma tradição: por ser a última filha a se casar, teria que morar com o marido na casa dos pais, condição que o noivo não aceitou. Ela, então, o dispensou. Ele ou ela poderia ter cedido? O amor não foi suficiente? O caso é que não era para ser.
Uma amiga de Rosa Carolina, comovida com sua tristeza, decide a ela apresentar seu irmão, um bonito jovem chamado Ângelo. Conheceram-se apenas naquele dia, na festa de formatura do Tiro de Guerra, mas o contato foi interrompido. Nunca mais se viram. Teria o jovem se alistado e servido ao exército?
Anos se passaram e os tempos eram de migração, o Brasil era promessa. Rosa Carolina viajou solteira com seus pais para o Brasil, num daqueles navios que traziam imigrantes italianos. E, somente ao se instalar com a família na nova terra, soube que Ângelo estava no mesmo sítio, em Itapuí, no Campo Limpo. Vieram no mesmo navio, mas só se encontraram em terras brasileiras. Casaram-se e foram felizes. Tiveram a filha Amábile, que foi avó de uma amiga minha, Ana Maria, que me contou essa história de seus bisavós. Uma história verídica, portanto, representativa das diversas histórias de migrações, amores perdidos e encontrados. Quem diz que não pode ter havido aí um dedinho de Julieta?!


O casal Angelo Seccone (1868) e Rosa Carolina Formaja Seccone (1872), nascidos em Verona e casados no Brasil.


Também tenho raízes italianas
Gostaria de saber mais histórias de meus antepassados. Sei que meus bisavós maternos vieram da Itália, que meu bisavô pode ter sido um exilado político (o que me leva a criar hipóteses sobre seus atos corajosos). Sei que muitos bens da família, com o sobrenome Tozzi (que, em minha mãe, virou Tosi devido à desorganização dos antigos cartórios), perderam-se na Itália. Não fosse a falta de registros, eu poderia ter a cidadania italiana. Infelizmente, não tenho mais avós para me contar as histórias. Sei que minha vovó Vitalina, simples e fina, tinha orgulho ao dizer que, num tempo em que as pessoas se casavam com quem os pais escolhiam, ela se casara por amor. Honesta que era, também afirmava o quanto era incômodo passar tantos anos de sua vida grávida. Foram umas oito gestações, acho, sendo que, naquele tempo, não era raro que alguns dos filhos não "vingassem".

E aqui estou eu, fazendo meus registros, para que, quem sabe, deles sobre para sempre um limiar de história.

Um comentário:

  1. Desde que minha avó contou essa história, tenho vontade de conhecer Verona... Bonito texto!
    Beijos. Ana Maria.

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