sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ela...

Publicando a crônica da aluna Fernanda Fraga...


                                                                          Ela


Se elas soubessem falar, teriam ótimas histórias para contar. Mas elas são fiéis confidentes, se não muitos casamentos provavelmente acabariam depois do depoimento delas. Você nunca irá encontrar uma amiga igual a ela, seguram nossa cerveja,  suportam nossas lamúrias de fracasso no amor, na profissão, na vida, sem reclamar, e ainda as cinzas de cigarro. Mesas de bar. Aposto que você nunca parou para pensar o que elas pensam, né? Nem o que elas sentem, todas as vezes que você foi embora sem lhe dar a atenção merecida, porque, sim, elas têm sentimentos. Umas gostam de ser mesa de bar, preferem isso a ter virado mesa de restaurante de hotel cinco estrelas, pois aí elas são cobertas por uma toalha de seda cor de champanhe, além de não serem notadas, são escondidas.
As mesas de bares que mais sofrem são as de karaokê, pois, além de tudo que foi citado anteriormente, elas ainda escutam pessoas que não sabem cantar, cantando, bêbadas,  músicas bregas, e morrem de inveja de quem pode colocar uma moeda na jukebox.
Mas nem só de tristeza se baseia a vida de uma mesa de bar, elas têm seus momentos felizes, quem não iria gostar de segurar os copos de Tom Jobim e Chico Buarque enquanto jogavam conversa fora e faziam lindos improvisos no violão. Elas adoram quando um tímido rapaz se prepara alguns minutos antes de a garota ir retocar o batom no toalete, toma coragem e a pede em namoro. Casais que já estão juntos há muitos anos fazem juras de amor com uma taça de vinho, ou amigos que não se viam fazia anos se encontram, falam dos seus sonhos realizados e matam saudade.
Então, um alerta, senhores botequeiros de plantão! Tratem muito bem suas respectivas mesas enquanto as usam, já escutei  lendas que elas, quando se cansam dos arranhões, chutes e maus tratos, criam vida nas suas perninhas magricelas e saem correndo a noite para perseguir esses mal-agradecidos. 

Fernanda Fraga é aluna do curso de Jornalismo da USC e produziu esta crônica para a disciplina "Redação de Jornalismo Impresso", por mim ministrada. 
E agora você nunca vai olhar para uma mesa de bar da mesma maneira!

ILUSTRAÇÃO: foto de divulgação do Restaurante 58 Tour Eiffel, em Paris, só para dar um charme extra :)

sábado, 2 de junho de 2012

Wagner Russo?

Fato inusitado da semana foi a presença (a emoção, a inspiração, a novidade*) de Wagner Moura no palco, ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, num Tributo a Legião Urbana.

(*Tá, nem tão novidade assim, ele tem uma banda e cantou Tempo Perdido no filme O Homem do Futuro)

Antes de acontecer, já se sabia que o show seria criticado, amado e odiado. Enfim, não passaria em branco. Não passaria imune.

PARA OS INDIGNADOS: como pode? Wagner Moura não canta. É ator, não cantor. Como colocá-lo no lugar de Renato Russo?

PARA OS APAIXONADOS (por Moura): Wagner é lindo e só isso importa.

Para a geração Legião, saudosismo e um pouco de estranhamento? Para a nova geração, curtição, admiração...

Um equilíbrio?

Desde a proposta, ficou evidente que a ideia era colocar alguém no lugar de um fã. Se para ele foi uma emoção especial, única, incrível, indescritível pela qual nenhum outro fã terá oportunidade de passar, sorte dele. E acrescente-se: é MTV!

Além do mais, quem poderia substituir o vozerão de Renato Russo? Encontrasse a MTV alguém musicalmente comparável a Renato, e ainda assim ele não seria substituído. Foi único.

Renato Russo, entre outras coisas, sempre falou de amor.

Ainda que eu falasse a língua dos homens...

Está valendo. Curtir. Amar. Odiar pra que?

(Ah, e eu falei das letras de Renato Russo num programa da TV USC em 2011).



Imagem captada da Internet com o crédito "Divulgação".