terça-feira, 30 de setembro de 2014

Destino: Vaticano (e os mistérios do Scavi Tour)

Sábado, terceiro dia em Roma.
Dia de ir ao Vaticano. Possível ir caminhando do nosso hotel, para quem prefere "flanar" a perder tempo esperando transporte.

Reservamos a manhã para um tour tradicional: Museu do Vaticano, Capela Sistina, Basílica de São Pedro. O acesso à Basílica é gratuito, mas, para os museus, é necessário adquirir ingresso. Havia a possibilidade de comprar pelo site, porém, de acordo com minhas tentativas e diversos relatos de outros usuários na Internet, o sistema de pagamento do Vaticano está com problemas. Uma pena, pois todas as outras operações realizadas pela Internet deram certo. Enfim, tivemos que viajar sem ingressos.

A fila para o museu é gigantesca e demora mais de duas horas. Então, recorremos a uma agência de turismo local que vende o ingresso beeeem mais caro, incluindo um guia de turismo (tão desnecessário quanto o preço do ingresso), mas que oferece acesso rápido ao tour. O que fazer? Pagar ou perder mais de duas horas na fila, eventualmente sob chuva e/ou sol.

A Basílica de São Pedro

É dessa fila dobra-muralha que falei

Naquela manhã, então, conhecemos as obras de arte do Vaticano. Não é autorizado fotografar o teto da Capela Sistina, onde está a famosa pintura de Michelangelo que representa a Criação do Mundo. Sem problemas, o melhor mesmo é apreciar. E depois eu compraria o livro com as fotos.

A passagem pela Capela Sistina foi apertatinha e abafada de turistas, mas nada que impedisse parar e admirar o famoso teto. (Dó mesmo eu fiquei de um bebê - que devia ter menos de dois aninhos - num carrinho, distraindo-se com um iPad. Acho que o passeio ainda não era para ele. Quando o desenho animado acabou, a criança chorou. Mas esta é outra história).

Obras ricas em detalhes


Detalhe da cúpula

A primeira Pietá de Michelangelo está na Basílica de São Pedro. Outras duas estão em Florença e a quarta, inacabada, em Milão. Das quatro, vimos três nesta viagem!

Túmulo do Santo João Paulo II: na Basílica, após a canonização

O tempo oscilava entre chuva e sol e a minha nova sombrinha, diretamente da grife dos camelôs, serviu para as duas coisas. No mais, se é para ter uma sombrinha que vai durar umas três chuvas e meia, que seja cor-de-rosa!

Almoçamos neste lugarzinho simpático, pertinho da Basílica, pois ficaríamos na região também no período da tarde.


À espera de um momento sagrado

À tarde, tínhamos um compromisso agendado também ali no Vaticano: a visita interna à necrópole que fica abaixo da Basílica de São Pedro, um roteiro chamado Scavi Tour, que é mais religioso e conta a história das escavações que encontraram as relíquias (ou restos mortais) do apóstolo Pedro, considerado o primeiro Papa da Igreja Católica. 

Trata-se, realmente, de algo mais intimista e espiritual, para um grupo pequeno (cerca de 10 pessoas). Para agendar a visita, é necessário escrever antes ao Vaticano (scavi@fsp.va), informando os nomes, as datas em que estará em Roma e em quais idiomas poderia fazer o tour. Após esse contato, eles indicam um dia e horário disponível e enviam um código para pagamento, que também não funcionou. Felizmente, neste caso particular, recebemos um comunicado para pagar no local. 

Embora eu tenha indicado três línguas para ter mais chances de conseguir o tour, tivemos a sorte de realizá-lo em português. Fomos, então, recebidos pelo Padre Vagner Luis Bonafé Laska, um religioso de Floripa que atualmente vive no Vaticano. Foi muito bom fazer o tour em português, porque há muitos detalhes que, acredito, teria perdido em uma língua estrangeira. 

Sim, o tour é realizado com um Padre, não com um guia turístico comum, em um ambiente de fé e espiritualidade. São impressionantes os dados históricos e científicos que nos remetem à história do cristianismo, tanto quanto a paz que você sente ao se aproximar do "coração" de Pedro. O Padre Vagner é preparadíssimo para falar sobre o assunto e acompanhou o grupo com grande gentileza.

Como expressa Padre Vagner, todas as obras de arte presentes no Vaticano são como a moldura para este "coração". Ali, na "necrópole secreta", estaria a verdadeira "pintura" emoldurada pelas obras de Michelangelo e outros mais. 

Não é permitido fotografar no local, o que é até bem bom - aposto que a gente (me incluo) poderia perder algum detalhe de vivência enquanto fotografasse.

Como eu havia temido, o ambiente pareceu-me um pouco "claustrofóbico", porém, senti tanta paz ali que isso não foi problema. Digamos que dá para lembrar dos caminhos percorridos por Indiana Jones.

Iniciando a visita às escavações
(Foto do grupo "Amigos dos Scavi" no facebook)

Foi um momento muito especial da viagem a Roma, talvez o que mais tenha dado sentido a ela. 
Temos muito a agradecer ao Pe. Vagner pelo aprendizado que nos proporcionou, além do momento de espiritualidade. 

A visita à Necrópole termina no local dos túmulos dos Papas e fornece acesso à Basílica. 

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Um pouco da história das escavações

O último desejo do Papa Pio XI foi ser enterrado o mais próximo possível das relíquias de S. Pedro. Seu sucessor, então, o Papa Pio XII iniciou as escavações, porque sempre se acreditou que a Basílica havia sido construída sobre o local em que S. Pedro fora crucificado e enterrado. As escavações revelaram uma antiga necrópole romana pagã (o cristianismo era na época proibido e condenado) embaixo da Basílica e, também, o local do túmulo de S. Pedro. Tudo foi feito em segredo durante a II Guerra Mundial, temendo que Hitler pudesse se interessar pelo local (o que sem dúvidas ocorreria, não?).

Mesmo após as escavações e a descoberta do túmulo, as relíquias de Pedro permaneceram um mistério, até a intervenção de uma arqueóloga, que identificou, a partir de certas pistas, os ossos de um homem com as características de S. Pedro, inclusive as marcas de crucificação nós pés (já que teria pedido para ser crucificado de cabeça para baixo, por não se sentir digno de morrer como Cristo). 

São dados da ciência. Como expressa Padre Vagner, a conclusão final é uma questão também de fé. 
Há coincidências incríveis, como o fato de que a Cúpula da Basílica tenha sido construída, sem que se soubesse, exatamente ao alto de onde jaz São Pedro.

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No alto da Cúpula

Após o tour religioso, o husband me convidou para subir a cúpula e eu, desinformada sobre como era a subida, aceitei. Elevador ou escada? Elevador, claro, já havíamos caminhado bastante. Só não sabíamos que, após o elevador, havia ainda MUITOS e MUITOS degraus estreitos na escada em forma de abóboda. MUITOS. Fazendo um draminha, achei que fosse ficar sem ar no meio do caminho. Mas eu explico: ninguém precisa desistir da subida. Apenas leve ÁGUA!!!! Meu grande problema, acredito, foi sede. Estava muito quente, e eu estava de calça jeans (a entrada nas igrejas exige um certo dress code, vestimenta respeitosa, comprimento abaixo do joelho e ombros cobertos; fui de calça mesmo para não ter qualquer problema). Acho que foi isso: água amenizaria tudo. Do alto, as vistas da própria Basílica e da cidade valem muito a pena!


Depois de descer a escada da penitência (hehehehe), encontramos uma fonte natural de água ainda antes do elevador. Fui correndo encher a garrafinha!!! (se soubesse, teria enchido a garrafinha antes de subir. Fica a dica...)

Foi um dia cansativo, mas muito especial. Acho que foi neste dia que surgiu uma bolha IMENSA em meu mindinho do pé, que ficou quase do tamanho do dedo do lado. Achando-me espertinha, cometi um erro de principiante: usei tênis sem meia grossa. Os bandaids da precaução estavam na parte de trás do pé, mas eu nunca havia tido um problema desses com o dedinho. Dali em diante, ele ficou encapado. Foi preciso comprar uma sandalinha aberta no dia seguinte, já que ele praticamente não coube mais no tênis enquanto a mega-bolha não sarasse. #aventurasdaviagem #pensaQésóBemBão

À noite, depois da parada para banho no hotel, ainda faríamos um passeio bem legal (assunto do próximo post), apesar do dedinho inchado.

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Outros detalhes sobre o Scavi Tour em um post do Viaje na Viagem.

E um ótimo relato sobre a história das escavações no blog Schirato na Itália.

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Texto: Érika de Moraes
Fotos: arquivo pessoal de Érika & Ronaldo
Foto Necrópole: página "Amigos dos Scavi" no facebook


Um comentário:

  1. Tivemos a oportunidade de visitar as escavações acompanhados pelo Padrre Vagner (muito simpático e atencioso) no dia 27/09/14 o que acrescentou muito à nossa cultura e também à nossa fé. Recomendo a visita a todos os que forem ao vaticano.

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