sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

CRÔNICA - Como explicar pro Fernandinho?

Mais uma crônica para encarar preconceitos.
Texto da estudante Amanda Casagrande (Jornalismo, Unesp)

Como explicar pro Fernandinho?

por Amanda Casagrande Mela   

     Um homem, uma mulher e o filho. Era a tradicional família brasileira do século XXI. Os pais andavam preocupados em como explicar a situação pro filho de 8 anos. Nessa idade, a mentalidade ainda estava se formando e eles estavam  com medo que a notícia confundisse ou influenciasse o menino Fernando. Tão criança, não sabia nada da vida ainda, coitadinho. Precisava aprender a lidar com a situação.
     A mãe ficou indignada ao saber que sua irmã aceitou numa boa. Ela, por sua vez, levou dias pra digerir a situação e até relutou bastante diante da "escolha" do sobrinho. O pai de Fernandinho ficou pasmo no início, mas depois comentou com a mulher: "eu sempre soube que uma hora isso ia acontecer, o seu sobrinho sempre teve jeito pra essas coisas".
     Depois de algumas noites mal dormidas, o casal decidiu que seria o pai que contaria ao filho. Acharam que seria melhor o Fernandinho ouvir isso de uma figura mais imponente. Talvez ele nem fosse influenciado pela situação se um homem másculo o bastante lhe desse a notícia.
     - Filho, o papai quer te falar uma coisa. Seu primo William vai viajar com a gente, mas vai acompanhado.
     Os dois ficaram em silêncio. Fernandinho, que estava jogando UFC com o olhar fixo no videogame, nem deu bola pro que tinha acabado de ouvir. Mas o pai continuou mesmo assim:
      - Ele vai levar o namorado para o Guarujá com a gente.
    O jogo foi pausado quase que instantaneamente. Bastou o garoto apertar um único botão do controle que estava em suas mãos. Ele olhou pro pai com o rosto confuso.
     - Mas pai... Como assim?
     - Eu sei que é estranho, mas...
     - Muito estranho. A mamãe falou que íamos pra Ubatuba. 

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