sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Gustavo Iochpe - o outro lado de sua argumentação



Band News, 3/1/2013

O economista Gustavo Ioschpe aponta o sério problema da educação no Brasil (no que parece correto) e dirige boa parte de sua crítica aos professores (o alvo certo?). Seus argumentos, basicamente:

1. Considera que há comparações desonestas: todos os salários no Brasil são ruins, não só o de professores (em outras palavras, os salários são ruins, mas são compatíveis com os salários de outras profissões com formação semelhante no Brasil).

2. Considera: se o professor não está contente com suas condições de trabalho, “mude de carreira”. 

Conclusão adjacente: o problema não é o sistema, mas o “descontentamento” pessoal (uma forma de invalidar as lutas sindicais e afins). 

Os mesmos argumentos poderiam levar à conclusão oposta: tivesse o nosso país menos corrupção, o dinheiro público poderia favorecer a dignidade de TODAS as profissões (não só a de professores). Os professores que supostamente escreveram e-mails com “erros de português” para Ioschpe (segundo relato dele) foram vítimas do mesmo sistema educacional que ele critica, gerando um círculo vicioso que sustenta o mesmo quadro lamentável. 

Argumentos pomposos e fáceis de serem derrubados, porém capazes de convencer aos menos atentos aos posicionamentos que estão por trás.

O argumento 2 tem sua validade. Se todos os professores decidissem estar em outra carreira, dariam lugar a outros profissionais que topariam nas mesmas condições (candidatos?).

Muitos professores de ensino fundamental e médio são verdadeiros super-heróis. (Não vou debater a carreira no ensino superior para manter um olhar externo). Alguns são profissionais medíocres? Com certeza, assim como acontece com economistas, advogados, médicos, cantores etc. etc. (Iochpe poderia dizer que não tiveram bons professores? Eis o círculo.) 

Certamente, alunos merecem um excelente ensino. Precisamos encontrar verdadeiros caminhos para atingi-lo. E o caminho individual talvez não funcione (“eu decido por outra carreira se estiver infeliz”), mas sim o coletivo.


Confira a entrevista da Band News neste LINK.

Um comentário:

  1. Como professor comento: se nao estou de acordo com as taxas impostas pelo governo, nao vou mais pagar o imposto de renda. Mediocre estas colocacoes, nao e dessa forma que se resolvem as coisas.

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