domingo, 29 de dezembro de 2013

IOF - novas regras - um golpe contra os viajantes

Nós, os que gostamos de viajar, somos verdadeiros sonhadores.

Embora seja clara a importância da internacionalização, encontramos pouco apoio para ampliar nossas fronteiras. Internacionalização é para governantes, não para o povo.

O governo Dilma acaba de impor um duro golpe contra nós, os que temos sonhos de viajar. Na surdina dos dias tranquilos entre Natal e Ano-Novo, foi divulgada a notícia de que o IOF de 6,38% sobre operações com moedas estrangeiras, que recaía sobre o cartão de crédito, passa a vigorar em tudo, inclusive os cartões pré-pagos exclusivos para viagem.

Segundo o secretário executivo do Ministério da Fazenda, em matéria para o Estado, "o governo percebeu uma forte migração das operações de crédito no exterior para os cartões pré-pago".

Por outro lado, fica claro que os interesses das operadores são privilegiados em detrimento dos cidadãos brasileiros, já que, para o governo, a diferença entre a tributação do cartão de crédito pós e pré-pago "prejudicava a indústria dos cartões".

É claro que a turma da Dilma percebeu que estávamos driblando o alto imposto do cartão de crédito com os cartões pré-pagos, alternativa segura e mais econômica. Agora, ficamos encurralados.

E já não contribuímos financeiramente com nosso país? Pagamos imposto sobre o trabalho, retido na fonte. Pagamos impostos sobre cada produto que compramos, o que as notas de supermercados e afins agora deixam bem claro. Ou seja, um imposto a mais como o alto IOF significa IMPOSTO SOBRE IMPOSTO - pago IOF com um dinheiro que recebi pelo meu trabalho, o qual já veio tributado.

Na prática, se um casal junta 10 mil reais para uma viajem de uma semana, de férias, no exterior, está pagando outros R$ 638,00 para o governo brasileiro para ter esse direito de viajar. E esses 638 reais são mais um exemplo de imposto sobre imposto, já que o dinheiro que você economizou para viajar veio do seu salário já tributado.

Por favor, não precisa me dizer que são poucos os brasileiros que têm um dinheirinho para viajar. Eu sei muito bem o que é dificuldade. Não gosto de me vitimizar, apenas digo que vivi a infância nos anos 80, os da inflação. E chega. Sou muito feliz porque tenho mãe sábia, ela me disse: "filha, o bem que podemos te dar é o estudo". E no meu tempo ainda dava para "se virar" com o ensino básico público (com deficiências, é bem verdade).

Sei que, hoje, sou privilegiada* por poder viajar e acho justo contribuir para que brasileiros possam sair da faixa da miséria. Eu não sou "de direita", não sou adepta do discurso liberal que acha que basta lutar para conseguir. Alguns não tiveram as condições mínimas para começar a luta, como o alimento e o estudo na infância. Mas eu também não sou esquerdista - fico numa posição complexa de tentativa de equilíbrio, uma corda bamba que não agrada nem gregos nem troianos. (*antes que alguém enxergue esnobismo, minha definição de "privilégio" aqui é ter saúde e capacidade de trabalhar para realizar sonhos.)

Se, por um lado, não penso como a Veja (que coloca os esforços à frente das condições), acredito que os esforços pessoais e familiares se somem  às condições. E tanto condições quanto esforços podem ser desiguais. E penso que cada pessoa tem direito de escolher quais são seus sonhos. Talvez o governo Dilma esteja pensando nos que deixam de comprar no Brasil para gastar em Miami (e não é justo, se este for o sonho?). Talvez um dia eu vá aos EUA, mas viagem de compras está longe de ser minha prioridade. Só que os tributos também recaem sobre pagamento de hotel, ingressos de museus, transporte, alimentação.

Acho que o Brasil se ilude muito fácil pelos pequenos auxílios (uma forma quase descarada de comprar voto). Não se cria uma cultura em que as pessoas possam ter sonhos maiores - e um deles é viajar, o que, para mim, antes de ser luxo ou esbanjamento, é cultura.

Ninguém precisa pensar como eu. Com os mesmos 10 mil reais que eu citei acima, muitos preferem trocar de carro. Some quanto a média de brasileiros gasta com cerveja, churrasco e balada. Eu escolho viajar, e daí? E também quero poder escolher os meus destinos a cada férias: uma hora pode ser o nordeste brasileiro, outra hora o exterior. Sobre escolhas, outro dia li um texto excelente, talvez apimentado, no blog AnsiaMente: "A arrogância segundo os medíocres". Teve um comentário lá que também me chamou a atenção, que diz:

"é tudo uma questão de prioridade, alguns priorizam economizar para comprar um carro zero, outros para estudar no exterior, nem melhor nem pior, só escolhas diferentes. O problema é que maior parte das pessoas aprendem a priorizar o ter, ao invés do ser (...)"

Então, o que quero dizer, é que, para mim, viajar é SER, não é TER. Você não tem a viagem, não compra-a como um bem material para ser exibido, ela é algo que te faz SER, sentir-se, uma sensação que não tem preço.

Sei que misturei assuntos, porque o tema me chateia muito, desperta meu sentimento de brasileira à revelia, a que paga imposto, paga o convênio médico, paga para realizar seus sonhos e vê outros tantos brasileiros sofrerem pela falta de uma boa saúde e educação.

Brasil, um país que, desde colônia, aprendeu as piores lições (e esqueceu as melhores) com o colonizador:

"(...) os impostos extraordinários criados pela corte [portuguesa] para financiar a luta contra Napoleão [nos anos que seguiriam 1808] foram mantidos mesmo depois de terminada a guerra, sobrecarregando comerciantes e funcionários urbanos" (Laurentino Gomes, 1808).

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Voo TAP - Avaliação completa

        Pondé, segundo a revista Viagem & Turismo, acha brega tirar foto no avião e ainda mais postar no facebook, coisa de turista e não de viajante.
        Eu, pastorinha a Alberto Caeiro, faço o que tenho vontade!

Vou relatar minha experiência com a companhia TAP, afinal, antes de viajar, sempre busco avaliações de outros viajantes. Se contribuir com alguém, está valendo.  Não sou fã de voar (ou quem sabe eu até seja, apesar – ou por causa – do desafio gravitacional que o voo nos impõe). Então, em primeiro lugar, desejo que todas as companhias zelem pela segurança. O que vier a mais é lucro: uma perninha apertada por umas horas a gente até aguenta... Dito isso, esclareço que, o quanto mais confortável for o voo, melhor é para a gente tentar relaxar (ou, em outras palavras, esquecer que está no ar), então, é muito bacana que a companhia ofereça o melhor serviço possível ao seu cliente.
Este foi meu terceiro voo a Europa e os dois primeiros foram com a KLM (já falei sobre a KLM por aqui). A opção pela TAP foi por um motivo bastante óbvio: a viagem era para Lisboa e a companhia oferece voo direto. Gostei da TAP e já adianto que minha avaliação é positiva e eu voaria novamente pela companhia, embora a minha preferência ainda fique com a KLM, a companhia que tem “até sorvete” para me distrair.
COMPRA DAS PASSAGENS
Comprei as passagens em outubro (para viajar em 29 de novembro) pelo site oficial da TAP.
Tanto a busca quanto a compra foram bastante tranquilas. Sempre que possível, recomendo a compra pelo site oficial. Dei uma pesquisada e não encontrei preços melhores nos sites que se dizem com “preço imbatível”. A companhia oferece o parcelamento em até 4x sem juros no cartão de crédito.

Havia lido uma avaliação no Melhores Destinos em que a leitora relatava não ter conseguido comprar pelo site da TAP e conseguiu fazê-lo pelo site da Tam (alternativa que não encontrei disponível). Imagino que tenha ocorrido um problema temporário, que, para minha sorte, não aconteceu desta vez. Mesmo assim, vale relatar que a TAP fornece um telefone para auxiliar o cliente na compra e o atendimento foi eficiente nas duas vezes em que liguei.

Na primeira, liguei porque não conseguia inserir o número de fidelidade do cartão Tam (minha opção enquanto a Tam ainda é membro da Star Aliance), não tinha o cartão Vitória da TAP e tampouco conseguia deixar o campo em branco: o sistema exigia que eu completasse o campo. Foi só ligar lá e resolver: a atendente me orientou a clicar no “milhas Vitória”, deixar o número em branco e, depois, retornar a ligação para marcar o número da Tam (havia um problema de sistema temporário). Bingo, deu tudo certo!
Da primeira vez em que fiz a compra, minha sessão expirou, mas por culpa minha: confiro tanto os dados (número de passaporte, de cartão...), rezo umas Ave-Marias no meio - rs, que a navegação foi longa demais. Então, refiz todo o processo novamente, desta vez mais rápido depois do “ensaio”.
Da segunda vez em que liguei, foi para marcar o número de fidelidade da Tam e, principalmente, fazer uma marcação prévia de assentos, o que não consegui no momento da compra. Mais uma vez, atendimento satisfatório e problema resolvido.

Conclusão: achei fácil o processo de compra, bastando buscar algumas soluções para contornar pequenas circunstâncias.
CHECK IN

Tanto na ida quanto na volta, consegui fazer o check in antecipado por internet com 48 horas de antecedência. Meus assentos pré-reservados estavam ok e confirmei os lugares. Não tive qualquer problema e evitei fila nos aeroportos, podendo entrar direto na fila de despacho de malas, que é bem mais rápida.

AERONAVES
Embora semelhantes, a aeronave da volta tinha um espacinho melhor para as pernas do que a da ida, em classe econômica, o que fez muita diferença. Na ida (Guarulhos-Lisboa Voo 82) nos sentimos bastante espremidos, o que dificultou conseguir um cochilo (e olha que tenho 1m64, dó dos mais altos...). O espaço da volta (Lisboa-Viracopos Voo 97) era nitidamente melhor e proporcionou mais conforto. Ponto para as companhias que estão apostando na melhoria da classe econômica, pena que vá demorar para substituírem as aeronaves antigas. Curiosidade: ao que parece, as aeronaves ganham nomes de nobres portugueses. Na ida, era D. João II e, na volta, Infante D. Henrique. Ou seja, se vir o nome do Infante D. Henrique, respire com alívio, terá mais espaço para as pernocas! (esse detalhe não me escapou porque fotografei as aeronaves por fora antes de embarcar)

TRIPULAÇÃO - simpatia com seriedade
Já ouvi falar mal dos comissários da TAP. Alguns, desrespeitosamente, chamam as moças de “aerovelhas”. Primeiro, qual o preconceito com as pessoas de mais idade? Acha que os profissionais devem trabalhar no máximo até os 30 e depois dar lugar a novas Top Models? Sorte é amadurecer, não existe outro caminho digno para a vida. Segundo, havia comissárias mais jovens, outras mais experientes, num perfeito equilíbrio. Na volta, até elegi uma aeromoça como musa: alta, morena, olhar penetrante, gentil e séria. Adorei a tripulação e dou nota dez para a seriedade com que atuam. Se você sorri, eles também sorriem. Pelo menos o que presenciei foi assim. Agora, vou relatar situações em que foram ásperos e dou total razão.

EXEMPLO 1
Na ida, antes da decolagem, após os avisos para desligar o celular, um senhor permanecia navegando em seu telemóvel... Então, um comissário disse:

- Senhor, peço que desligue o telemóvel.

O senhor disse “tá” e permaneceu navegando. O comissário:

- Senhor, preciso que desligue o telemóvel AGORA.

O senhor permaneceu navegando. Preciso dizer que o tom foi se tornando mais áspero até a sexta vez em que o comissário precisou fazer o alerta? Quem é o errado nessa situação? O comissário, zelando pela segurança do voo, permaneceu na cola do passageiro até o telefone ser deligado.
EXEMPLO 2
Embarque do retorno. Um brasileiro voltou xingando porque estava na fila e não o deixaram embarcar por enquanto, indicaram outra fila a ele. Motivo: estavam embarcando as fileiras de trás (da 27 em diante) e o cara era da fila 18.

EXEMPLO 3
O voo aterrissou suavemente em Campinas (ufa!) e o comandante reforçou a regra: mantenham seus cintos afivelados até o nosso aviso. Vários passageiros se levantaram, começaram a abrir os passageiros e pegar suas malas. A moça bonita veio que nem uma fera, com ar de professora que fica ainda mais linda em sua autoridade, e disse, um a um, olho no olha, para se sentar e fechou os bagageiros. Quem está errado?

REFEIÇÕES
Não tenho preconceito com comida de avião! Considero que as companhias com as quais já voei (KLM, TAM, LAN, TAP) ofereceram refeições saudáveis e balanceadas para um voo.

Nesta experiência com a TAP, gostei muito do prato com frango que escolhemos na ida:

Quase na chegada a Lisboa, café da manhã a bordo:

No voo de retorno, a opção era peixe ou massa, sempre com salada e sobremesa. Escolhi o primeiro, enquanto meu marido optou pela massa.
Achei os pratos compatíveis, mas aí o problema foi que o voo teve turbulência constante (ai ai ai). Não tão intensa, mas constante. E, bem após a refeição ser servida, começou um balancinho... e meu estômago, coitado, começou a querer revirar. Ainda consegui comer um pouquinho – a arte do autocontrole – mas não muito.
Por sorte, já em território brasileiro e perto da chegada, serviram um lanchinho saudável. Adorei, especialmente porque estava morrendo de fome! Como meu amore não é chegado em kiwi, comi o meu e o dele.

Ao chegar ao hotel em Campinas (onde iríamos pernoitar até prosseguir viagem no dia seguinte), tomei um banho e capotei na cama, não quis comer mais nada, o cansaço falava mais alto que qualquer indício de fome.

ENTRETENIMENTO
Os voos TAP contavam com tela individual de entretenimento. Aproveito para dar um vivas ao vídeo deles de segurança, achei divertido, eficiente e gracioso (especialmente no momento em que as crianças falam das bagagens importantes). Legal, pois considero um momento tenso ficar ouvindo aquelas instruções... Li, depois, que esse vídeo foi premiado (VEJA AQUI)

As telas ofereciam vários canais de filmes, além do canal com música e informações de voo. No entanto, diferentemente de minha experiência com a KLM, os filmes não estavam disponíveis conforme a vontade do passageiro. Funcionava como os canais de uma Net, digamos assim. Você escolhia o canal, mas cada canal estava passando uma programação fixa. Dessa forma, não era possível, por exemplo, dar pausa em um filme, podendo se perder trechinhos ao receber a refeição, por exemplo.
Na volta, exatamente a minha telinha não funcionou. Mas tudo bem, se todo problema do mundo fosse esse, seria um paraíso. O marido me deu um lado do foninho e vi a tela com ele. Poderia ter mudado de lugar, já que havia assentos livres, mas preferi ficar na minha.

PONTUALIDADE

O voo da ida saiu de Guarulhos pontualmente às 17h45 e chegou pontualmente às 5h30 de Lisboa (3h30 do Brasil), totalizando nove horas e 45 minutos de viagem (computados fuso horário, bem como Horário de Verão Brasileiro e Horário de Inverno Português).
O voo da volta, previsto para sair de Lisboa às 10h10, atrasou mais de uma hora. Deduzimos o seguinte - sem confirmação oficial: por se tratar da mesma aeronave que vinha do voo de Campinas, esta já chegou ao aeroporto com atraso, devido às chuvas que ocorreram no dia anterior em Campinas, que teriam atrasado sua decolagem. Decolou de Lisboa por volta de 11h30 (ou 9h30 do Brasil), chegando a Campinas às 19h40 (o horário previsto era 18h10), totalizando 10h10 de voo. Percebemos que a rota via Campinas era mais longa e, possivelmente, o comandante fez alguma adaptação de percurso para minimizar turbulências.

FINALIZANDO...
Enfim, tudo dentro da normalidade. Uma boa companhia, em minha opinião, com a qual volto a voar de boa, até porque voltei cheia de saudades de Portugal (assim mesmo, saudades plurais, sai pra lá puristas da língua que acham que a palavra tem que vir sempre no singular, do que até o sábio Houaiss discorda).

Fomos por Guarulhos e voltamos por Campinas, esta escolha teve relação com preço e horários de voo. Optamos, assim, por fazer de ônibus a viagem de Bauru a São Paulo, bem como o retorno Campinas-Bauru, diferente de outras vezes em que recorremos ao carro e a estacionamentos na Capital. Achei até que foi um estresse a menos. Única chateação foi ter precisado sair muito cedo de Bauru (às 5h30 para viajar somente às 17h45) por margem de segurança com o tempo. Como o trânsito fluiu bem, chegamos cedo ao aeroporto de Guarulhos e haja espera...
A empresa de ônibus Expresso de Prata, de Bauru, possui o monopólio da linha Bauru-São Paulo e desembarca no terminal Barra Funda, sendo necessário pegar outro ônibus da Barra Funda ao Aeroporto de Guarulhos. A parte boa é que o Prata é confortável, a parte chatinha é fazer essa segunda viagem de ônibus. Em 2009, quando fui à Noruega, havia um serviço de van que levava os bauruenses diretamente ao aeroporto de Guarulhos, muito prático e confortável, mas me parece que esse serviço foi impedido (I wonder why...).

Pela primeira vez, aterrissamos no aeroporto Viracopos, em Campinas. Estranhamos um pouco as curvas da aterrisagem, mas não chovia (embora estivesse nublado) e foi tudo tranquilo. Achamos o aeroporto mais caseirinho, porém satisfatório.  A fila da imigração tipicamente brasileira: lerdinha... Um free shop pequenino, mas que ainda permitia uma última comprinha.

E você, já viajou com a TAP? Gostaria de compartilhar sua opinião nos comentários?
Deixe um recadinho se achar que esse post foi útil para sua escolha de companhia aérea, ficarei feliz em saber.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Belém é pura poesia

Se eu pudesse apenas ter olhado o Tejo pela janelinha da Torre de Belém, tudo já teria valido a pena, e a alma, tal qual a de Pessoa, seria o contrário de pequena:  grande e irradiante.


Se eu pudesse, então, retornar ao Tejo de Belém (e pude) teria de ser (e sou) eternamente grata à vida.


 
É que eu vi o Tejo, Tejo lindo,
lindo Tejo, Tejo lindo
E o pintei com minhas cores. 


Minha bandeira e meus cabelos bagunçados ao vento, porque sou tão ridícula (e feliz) quanto as cartas de amor. 


Mais sobre Belém no post abaixo!

Belém - encanto de Lisboa

Se tivesse apenas um dia para estar em Lisboa, valeria a pena passar em Belém! Claro que há, além, o charme do comércio da Baixa, o arco da Rua Augusta, as Ruínas do Carmo bem pertinho do Elevador de Santa Justa. Claro que tem os castelos das imediações. Mas, digo, se tiver apenas um dia... Belém é tão especial!

Em território europeu, adeus carro, o transporte público é excelente! Para ir a Belém, pegue o metrô até Cais do Sodré e, de lá, o elétrico 15. (*)

Se pudesse entrar em apenas uma construção histórica portuguesa, não me arrependeria que fosse o Mosteiro dos Jerônimos. Fato: é bem batidão nos guias turísticos, mas não é para menos. A arquitetura e a história desse lugar são realmente impressionantes.




Se começar o passeio pelo Mosteiro dos Jerônimos, vale, depois da visita interna, caminhar pelo imenso jardim que fica logo a sua frente. Há uma passagem subterrânea que cruza a linha de trem e leva ao Tejo. Daí, pode-se caminhar até a Torre de Belém, passando pelo Padrão dos Descobrimentos, monumento construído em homenagem às grandes navegações. (obs. o Mosteiro vende um bilhete combinado com a Torre de Belém, atualmente custa 10 euros).

Se a fome não demandar um almoço tradicional, pipoque um salgado na Padaria de Belém e, de sobremesa, arremate uns 3 ou 5 dos famosos pastéis, rsrs

        Pastelzinho de Belém saído do fornoooooooo da Padaria de Belém!!!



Na região, ainda há muitos museus a conhecer (me disseram que são onze no total!), como o da marinha e o interessantíssimo Museu dos Coches, onde ficam antigos carros da realeza, como o de Carlota Joaquina.



Ah, eu disse que só por Belém já vale ir a Lisboa... Mas ainda tem a Rua Augusta, o Oceanário, o Museu dos Azulejos... Lugares lindos e poéticos!

Mesmo havendo tanto para ver, inevitável querer retornar a Belém, dar uma última espiada em tudo (sem entrar nos museus) e olhar o Tejo, que parece ainda mais especial daquela região.

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(*) Transporte público em Lisboa
Em tempo: há um bilhete vantajoso que dá direito a usar ônibus e metrô à vontade durante 24 horas, atualmente custa 6 euros. É bem prático, o porém é só quando dá problema em alguma catraca e você não encontra um funcionário a quem recorrer - quase tudo é feito por máquina.
Ao chegar do aeroporto, com malas, optamos por comprar rapidamente um bilhete unitário na máquina, pois ainda não havia guichês abertos. Ter moedas facilita, ou pelo menos uma nota menor que 10 euros. Mesmo nos horários em que há guichês, a fila costuma ser grande e lenta.
Nos ônibus, se estiver com o bilhete diário, é necessário sempre validar nas catracas eletrônicas (ou pode pagar multa em caso de fiscalização).

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Portugal: um reencontro com nossa história


        Entre cores de Lisboa, em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerônimos

Por alguma razão, Portugal não era, em princípio, o primeiro país na minha lista de prioridades a conhecer. Tenho uma paixão louca pela França, lembra? Ainda antes de sonhar com a França, foi Londres que fisgou meu coração, desde os primeiros cursos de inglês e a primeira lembrança de uma imagem do Big Ben num livrinho de ilustrações a colorir. Se pudesse, conheceria todo e qualquer lugarzinho do mundo, mas demorei bastante para criar coragem e condições (acho que nessa ordem - pois a coragem inventa as condições). Meu desabrochar como cidadã do mundo começou com o intercâmbio a Noruega, em 2009, uma surpresa mais do que agradável.

A Portugal eu queria ir, mas ainda não planejava. Talvez porque me soasse estranhamente familiar, apesar da localização do outro lado do Atlântico. E a oportunidade de ir à "Pátria Mãe" (como por aqui já foi chamada em tempos de colonização) surgiu neste ano, ao me inscrever para um Congresso e deixar rolar. 

Devo dizer que voltei mudada. Ou melhor, pisar do lado de lá me mudou imediatamente, abriu meus olhos para aspectos que enxergava de forma mais ofuscada. Se gostei mais do que de outro país que já conheci, é difícil dizer, pois cada um tem a sua beleza, que é incomparável. Mas, ao contrário de antes, agora Portugal é um dos primeiros lugares da lista que eu indico para conhecer. 

Há muito a contar sobre lá, o que vou pincelar nos próximos posts. Muito do que vi, do que li, do que ainda não vi e ficará para a próxima, que certamente haverá. Cada arquitetura grandiosa ou cada pequena folha caída de outono, como contei no post logo abaixo. 

É que de Portugal a gente ouve falar muito, especialmente nas aulas de História e de Literatura. E, como costumam compreender os que cursaram as primeiras séries escolares nos anos 80, na época, eu ainda não me imaginava apta a chegar tão longe. Ou até imaginava, mas ao modo daqueles sonhos vagos e inconcretos: um dia, quem sabe, talvez. Meu sonho mais óbvio e sólido era bem mais modesto: preparar-me para uma boa faculdade, o que, no Brasil daquelas décadas (80 - 90), estava longe de ser uma obviedade. 

E então eu lia Fernando Pessoa, deslumbrada, sem ainda conseguir me projetar a olhar o Rio que era maior do que o da aldeia do poeta, e mais ainda da minha! E que poeta, um dos primeiros que me cativou. 

Eu estudava a história do Brasil e memorizava tudo como informações um pouco vazias: Brasil Colônia, Brasil Império, Brasil República...

Agora, emoção é pouco para descrever qual a sensação de estar ali, na margem do Tejo, a mirar o ponto exato de onde saiu a Caravana de Cabral para cá. E que audácia, naqueles tempos! O mesmo Tejo de Fernando Pessoa. 

Retornando ao Brasil, peguei para reler o 1808 de Laurentino Gomes e tudo faz muito mais sentido. Pequenos detalhes, como ler que o arquivista real vivia em Belém, antes de migrar para o Brasil ao encontro da Família Real, e pensar... sei onde é, estive em Belém!

        Brasileira descobrindo Portugal, pertinho do Padrão do Descobrimento, altura do Tejo da qual partiam as embarcações a desbravar o Atlântico


Não há como ver tanto ouro nas paredes e tetos das igrejas e museus portugueses e deixar de pensar: nosso ouro, do Brasil! Não adianta, porém, reclamar isso à guia, que não foi ela ou a geração dela que esteve aqui colhendo nossas preciosidades. Ao menos, lá, pode-se reencontrar com a história, a arquitetura e valores de uma outra época. Aqui no Brasil, sabe-se que o próprio palácio onde viveu o Rei D. João VI, no Rio de Janeiro, ao fugir do exército de Napoleão, não foi preservado e, por mais que possa parecer bobagem para alguns, a preservação da História e da Cultura também faz parte de nossos direitos humanos. Sabe-se que a corte portuguesa, àquela época, explorou os recursos do Brasil para sustentar seus luxos - estou aqui bem envolvida com a leitura de Laurentino. Por outro lado, a decisão de vir para cá também agregou valores positivos à nossa história, como a construção de um sentimento de identidade como nação brasileira. 

Por mais que a corte portuguesa tenha tido seus tipos pitorescos, há sempre outro lado da moeda de ouro que vai além dos personagens caricatos do filme Carlota Joaquina de Carla Camurati. Gosto de pensar nos reis e rainhas também como seres humanos, o que me leva logo à sensação de que o luxo também tem seu fardo. Penso especialmente nos princepezinhos que se tornariam nossos D. Pedro I e II, cujos destinos foram traçados quando estavam em idade de brincar. 

Mesmo trazendo tantas imagens de Portugal, há muito ainda a se dizer com palavras. E a principal delas é SAUDADE - esta que não tem tradução precisa em outros idiomas senão o português, e que parece expressar um sentimento que nos une, apesar das diferenças entre o português que lamenta em um fado e o brasileiro que vibra no carnaval. 

E é da SAUDADE que vem a maior identificação que sinto. Conhecer Portugal é trazer de volta, na bagagem, eternas saudades do lado de lá. Porém, estar lá também é incompletude, porque fica a falta do Brasil. Dar vazão ao coração de viajante é descobrir as saudades eternas, o desejo de estar sempre, ao mesmo tempo, em um e mais dos lindos lugares sonhados, mas também no seu espacinho brasileiro. É descobrir um coração que nunca mais estará completo em qual seja o lugar, afinal, é coração de viajante. 

Se Portugal nos ensina a saudade, que nos ensine também a mirar o futuro. A lição que o país nos deixa é dura: foi destaque na era das grandes navegações e perdeu rumos em um mundo cujo avanço não mais dependia dos ventos. Foi um país científica e tecnologicamente atrasado, por extremismos religiosos (D. José, irmão mais velho de D. João VI e primeiro herdeiro do trono, morreu de varíola porque a mãe Maria I achava que vacina era pecado, era interferir na vontade de Deus - e Deus não dá ao homem a inteligência de inventar a prevenção e a cura? ). 

Portugal se deslumbrou com as riquezas da natureza brasileira e instituiu a dependência da economia extrativista. E até hoje o Brasil não trata os recursos como inesgotáveis? O que o Brasil faz hoje com o dinheiro da aposentadoria de amanhã? Que o Brasil tente aprender algo com os erros de sua “Pátria Mãe”, onde hoje os salários sofrem redução e as aposentadorias correm altos riscos. Será que aprende? Ou se acomoda, porque o sol aqui parece sempre brilhar. 

        Torre de Belém: símbolo da defesa do território marítimo


Diferentemente, a Noruega, possuindo um único recurso - o petróleo - construiu a partir dele o primeiro IDH do mundo. Ainda assim, sofreu. Acostumou-se à sensação de segurança (que deveria ser um direito de todo cidadão), o que pode ter facilitado o lamentável atentado de 2011. Isso me faz pensar – uma triste conclusão – que o sentimento de alerta em que vive o brasileiro é necessário em qualquer parte do mundo. 

Recebemos tantas outras influências. Somos uma misturinha boa. Nosso clima tropical reflete alegria e hospitalidade. Adoramos banho tal qual um bom índio. E, inegavelmente, de todas as influências, a portuguesa foi imensamente forte. Reconciliemo-nos com o lado de lá, sem complexo de Colônia - foram outros tempos. Hoje, o que fica, é que o povo português é um nosso semelhante, tão parecido conosco. E que nos recebe bem, como fizemos com a corte de D. João VI em 1808. 

Ao saber que a corte portuguesa estava chegando ao Brasil, o governador de Pernambuco despachou ao mar o pequeno barco Três Corações, que, quase milagrosamente, encontrou as naus portuguesas, levando uma carga caju, pitanga, outras frutas e refrescos. Para os passageiros há dois meses no oceano, privados de uma alimentação saudável, foi um alento:

"Eram espécies tropicais, de aspecto, consistência e sabor como jamais tinham experimentado em Portugal. E foi assim, nas formas dos frutos de sua pródiga e exuberante natureza, que o Brasil se apresentou a D. João e sua corte refugiada dos tormentos da guerra na Europa." (Laurentino Gomes, 1808)

E o que poderia ser mais poético que um fim de tarde ao pôr do sol português, no alto do Castelo de São Jorge? Felicidade é ter estado lá.





Poesia, também, é colorir com suas próprias tintas as imagens dos diversos lugares, como fiz com o Big Ben no livrinho de pintar de infância.  

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Fim de outono em Portugal

As folhas de outono, os momentos que ficam.
Saí um pouco da minha aldeia para ver o Tejo.
Vi belos castelos, revivi o encontro histórico entre Brasil e Portugal.
Apresentei um paper em Congresso, em Lisboa, e fiquei extremamente feliz com a receptividade e respeito dos estudantes de lá por meu trabalho.
Foi tudo mais que perfeito. Dizem que costuma chover por lá em Dezembro, mas só pegamos dias de sol e céu muito azul.
Clicamos cerca de 3000 fotos.
Nem que eu vivesse mil anos conseguiria contar tudo, e eu não quereria parar para contar, viajaria mais.
Se tudo foi lindo, posso dizer que o que mais fica gravado na memória são os momentos mais simples, o toque do sol em meu rosto, a lembrança das folhas caídas de outono.




Em:
Rotunda da Boavista, próximo à Casa da Música, Porto.
Parque Eduardo VII, Lisboa.

"Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei."
"À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

 

Fusão de dois trechos de Fernando Pessoa: Não sei quantas almas tenho (Alberto Caeiro) e Tabacaria (Álvaro de Campos)

Em Portugal - pincelando

Enquanto não escrevo, ouço fado para aumentar a saudade e posto uns looks em integração com cenários portugueses.

Pinceladas do Estilo Fashion Mix



Castelo do Queijo, Porto + Belém, Lisboa.

Até breve...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Em Portugal

Estamos em Portugal.
Em breve, relatos aqui no Liquimix.





Aqui, na região do Douro e no bondinho do Passeio Alegre.