domingo, 27 de março de 2011

Papo de linguagem

Recentemente (quer dizer, no fim de 2010 - o tempo é que tem passado rápido), a jornalista Rose Araújo fez comigo uma entrevista sobre assuntos relacionados à linguagem, para a revista Na Mochila, uma publicação bacana distribuída em escolas particulares.
Gostei de participar, pois as perguntas foram instigantes e me deram oportunidade de opinar, com base no arsenal teórico que estudo, sobre assuntos repletos de "achismos" em nossa sociedade.
Como circulo entre o jornalismo e a carreira acadêmica, passo por essa peculiaridade de ora entrevistar, ora ser entrevistada. De certa forma, os dois processos se iluminam um com o outro. Com autorização da colega Rose, publico a entrevista aqui.

MAIS SOBRE LINGUAGEM NO ARQUIVO DO LIQUIMIX. MARCADOR "LINGUAGEM".





Segue na íntegra.

O que é o gerundismo?
Chama-se de gerundismo o uso indiscriminado de uma espécie de gerúndio composto, como em "vou estar escrevendo".

Como ele se propagou e se tornou tão popular?
Foi, provavelmente, a linguagem de telemarketing que o tornou popular. Alguns acreditam que tenha sido fruto de traduções equivocadas e literais de manuais em inglês, mas esta não é uma versão comprovada.

Como o gerundismo é visto pelos linguistas?
A Linguística, em linhas gerais, propõe o estudo científico da língua. Diferentemente da gramática tradicional, não trata a língua como uma questão de etiqueta ("está certo" ou "está errado"), mas procura descrever e entender os fenômenos linguísticos. Se encararmos o chamado gerundismo de forma não preconceituosa, não vamos tachá-lo como uma "praga", mas procurar entender suas razões. O que parece incomodar não é a estrutura linguística em si, mas os efeitos de sentido que essas formas carregam. "Vou estar enviando" soa como algo que demorará a ser enviado; "vamos estar resolvendo" soa como algo que nunca será resolvido. São as estratégias e artimanhas do telemarketing. O problema é o excesso. Não fossem usadas excessivamente, talvez essas construções, que eu própria chamaria de "gerúndio futuro composto", poderiam ser aceitas como um tempo verbal legítimo da Língua Portuguesa. Mas a questão é muito interessante, pois mostra que, indo a fundo, o problema não é um modo de dizer, mas os sentidos envolvidos.

Do ponto de vista semântico, o que ele quer dizer?
Por sua estrutura verbal, carrega o sentido de uma ação contínua futura. No entanto, conforme os contextos e o uso excessivo, adquiriu o sentido de "enrolação". Então, é compreensível que as pessoas o abominem. Só é preciso entender que, cientificamente, o problema não está na expressão, mas no seu uso e, principalmente, no seu uso excessivo.

O gerundismo parece não ser uma expressão do cotidiano, das conversas entre amigos ou vizinhos. Você acredita que é uma forma de "enfeitar" a linguagem?
Também é uma hipótese. Assim como, às vezes, comete-se uma "hipercorreção" - que é quando a pessoa erra se esforçando para acertar, como no caso de "houveram", uma concordância verbal incorreta do ponto de vista da norma culta, mas que pode passar despercebida e chocar menos que o gerundismo. É provável que alguns falantes explorem o gerundismo como uma linguagem empolada, rebuscada, o que é confundido com sofisticação. Nesse caso, temos um problema de estilo. Não é porque o gerundismo é um fenômeno compreensível que ele está estilisticamente liberado. Na maioria das vezes, um "vou enviar" é muito mais eficiente, objetivo e honesto do que um "vou estar enviando". Assim como, no momento da revisão de um texto, procuramos limpar palavras repetidas, checar padrões de linguagem... Ao falar, simplicidade é sempre um bom estilo.

Você cita em seu artigo que "o perigo é defender que esse tipo de construção está sempre errado". Em qual momento ele está correto?
Você me pergunta o que vou fazer durante a tarde de amanhã e eu te respondo: "vou estar preparando aulas". É uma ação contínua, passarei a tarde toda preparando as aulas. É um longo trabalho... Nesse contexto, o que propus chamar de "gerúndio futuro composto" é legítimo, não é "gerundismo" (no sentido de vício de linguagem).


Sobre a linguagem chamada internetês:


Na internet, a linguagem tem vida própria. Tanto que já ganhou nome próprio: internetês. Qual a sua opinião sobre esse estilo de escrita?
É um gênero textual como outro: a carta, o artigo, a redação jornalística, o gênero acadêmico, os quadrinhos. Talvez possa se dizer que é o gênero mais popular da atualidade.

Você acha que ele é prejudicial à língua portuguesa?
Não, não acho. O que é prejudicial à Língua Portuguesa são as falhas da Educação, a começar da básica. A linguagem da internet é mais uma possibilidade para o professor trabalhar em sala de aula, propor o debate, instigar a reflexão sobre língua. É importante ressaltar que o aluno precisa dominar todos os outros gêneros. Ele deve utilizar a linguagem de internet na internet, ou até ficaria excluído do grupo. Mas ele precisa dominar os outros gêneros, o que deve ser exercitado na redação escolar, mas também através de leituras e de incentivo dos pais. Se a maioria dos estudantes chega ao fim do ensino médio sem dominar a escrita, não é culpa do tal internetês. É uma falha da educação (escolar e familiar). Presenciei (e presencio) muito de perto os problemas de escrita da juventude em minha experiência como professora e corretora de redação de vestibulares e Enem. O pesquisador Sírio Possenti, da Unicamp (que foi meu professor e orientador) costuma lembrar que, nos seus tempos de juventude, sempre fazia anotações rápidas e resumidas (algo parecido com um internetês antes da geração web, um "rascunhês"), nem por isso esse se tornou o seu texto padrão. São linguagens diferentes. Só que o estudante não pode dominar só a linguagem de internet. A escola e a família precisam estimulá-lo a dominar os mais diversos gêneros textuais.

Você acha que os pais devem temer o internetês?
Não há motivo para temor. Os pais precisam temer as falhas da educação brasileira, que levam uma população a eleger o Tiririca. Não dá para falar de língua sem falar de política e sociedade! O grande pecado do Lula não é ter - ou ter tido - algumas falhas com o português padrão. Mas Lula tem uma história política convincente, é um estadista respeitado mundialmente. Mas não vou justificar que ele defenda o Tiririca. Que história política tem o Tiririca? Porém, a culpa nem é de Lula ou de Tiririca. É da sociedade. A sociedade precisa lutar por uma educação melhor para o país. E não vamos colocar a culpa no internetês ou no gerundismo... Se tiver algum "culpado linguístico", seriam mais os puristas, que acreditam que ensino de língua se resuma a “decorebas” de norma padrão. Ensino de língua deveria incluir discussões de temáticas sociais visando um domínio amplo de redação. Tem tudo para ser algo lúdico, divertido, prazeroso, podendo ganhar o respeito e o interesse das crianças e jovens. O domínio das normas deveria ser uma consequencia. Todo mundo deveria ler Marcos Bagno (Preconceito Linguístico, A Língua de Eulália, A Norma Oculta, etc.). Mas tem que ler sem preconceito para entender a proposta.

Como os pais e professores podem usar esse estilo de escrita para ensinar a língua portuguesa?
Reforçando a questão de que cada gênero corresponde a diferentes circunstâncias. Explorando o lado lúdico. A criança ou o jovem pode, por exemplo, ser instigado a escrever um pequeno livro em que misture linguagem convencional com linguagem de internet, esta última em e-mails que a personagem escreva no decorrer da história. Pode-se inspirar no modelo da ótima série de livros para adolescentes, "Poderosa", de Sérgio Klein, que utiliza recursos desse tipo. Uma leitura sugerida, aliás.

Sobre o uso correto da língua portuguesa em casa:


Quando a criança conjuga verbos de uma maneira errada (troca "eu sei" por "eu sabo", por exemplo), como deve ser a postura dos pais?
Como em outros casos, a postura deve ser sempre carinhosa, mas a correção deve ser feita, desde a primeira ocorrência. Sugiro algo como "repete com a mamãe/o papai: eu sei". Sempre com muitos sorrisos e carinho! Se a criança for pequena, ela pode cometer o mesmo erro outras vezes, e a atitude deve ser sempre a mesma, até a criança gravar a forma correta. Jamais dizer em tom agressivo algo como "É ‘eu sei’! Eu já te falei!". Jamais desprestigiar a criança, prejudicar a sua autoconfiança e suas descobertas na busca por ampliar vocabulário pela tentativa e erro. Os pais precisam ter consciência de que uma criança que diz "eu fazi" é inteligente, e não burra. Veja só: sem ninguém ensinar, ela faz uma associação natural com a língua: eu parto/eu parti; eu como/eu comi; eu faço/eu fazi. Ela aprende uma regra, o que é louvável, e precisa ser ensinada, aos poucos e com carinho, que as regras têm exceções. Precisamos deixar a criança questionar a língua, como em Marcelo, Marmelo e Materno: por que se chama faca e não cortador? Assim, ela aprende que, em língua, existem funcionamentos organizados, mas também convenções.

A partir de qual idade é possível corrigir a criança quanto ao uso correto da língua portuguesa?
Como eu disse, sempre que a criança pronunciar algo incorreto do ponto de vista padrão, é legal repetir a forma correta, desde a primeira vez que aconteça. Sempre com carinho, sem exigências. Se a criança for pequena e não quiser repetir a forma correta, não tem problema. Com o tempo, ela vai compreender. Quando eu era muito pequena, insisti com a minha mãe que o programa do Jô Soares se chamava ‘Vivo ou morto’ e não ‘Viva o Gordo’. Vivo ou morto era uma brincadeira que eu conhecia, fazia parte do meu repertório, das minhas referências infantis. Minha mãe não conseguiu me convencer, então, deixou o tempo passar. Com o tempo, talvez quando aprendi a ler, entendi. É uma história engraçada para mim. Poderia ser um trauma se minha mãe me repreendesse por não saber o nome correto do programa.

Quando a criança está formando o vocabulário, é normal que ela invente palavras ou erre na concordância. Muitos pais acham bonitinho o erro e não corrigem. Qual a sua opinião sobre isso?
Muitas vezes, o erro é uma solução criativa para a língua. A criança não deve ser podada, especialmente quanto às palavras inventadas. É assim que surgem os neologismos, além de ser uma forma de explorar o lúdico. Mas é importante apresentar à criança a forma convencional. Se a criança chamar a colher de comedor, dá para brincar com a situação: ‘verdade, a gente usa pra comer, mas ela se chama colher’. Dependendo da idade, a criança vai perguntar por quê. Podemos até dizer que há coisas na vida que não têm muita explicação, que alguém inventou assim e a forma pegou. E, em língua, muitas vezes é isso mesmo.


Entrevista por: Rose Araújo.
Fonte: Érika de Moraes, Doutora em Linguística pelo Instituto de Estudos de Linguagem (IEL) da Unicamp.

sábado, 12 de março de 2011

Think different!


Pegada de quê? Adulto, criança, gato ou macaco?

Uma animada colega, agrônoma cheia de garra chamada Gisele, que foi comigo à Noruega, costumava dizer que não perdia tempo lavando roupa na mão, botava tudo na máquina. Ah, o que menos tenho nessa vida é tempo sobrando, mas morro de dó de estragar minhas peças mais delicadas com rendinhas e afins (sorte que minha mãe me ajuda muito, até hoje, a conservá-las!). Essa minha mesma colega faz movie maker e tem paciência de montar caprichosamente belos álbuns personalizados de fotos, tipo scrapbook, coisa que muita gente acharia perda de tempo. A queridíssima amiga Fá, por exemplo, que mora em Brasília, não se conforma que eu faço agenda e, um dia, me perguntou se eu jogava fora quando acabava o ano (imagine!!! Rsss). Já a Fer Moraes, outra mulher trabalhadora e ocupada, gosta de cuidar das roupas à mão, para conservar as peças mais queridinhas, e tem incrível talento para artesanato.

Moralzinha da história: cada um valoriza o tempo de uma forma diferente, e certas coisas têm valor especial a depender do olhar da pessoa.

O tempo. Eu adoro tê-lo, mas não para ficar à toa. E há coisas que me passam a sensação de tempo inaproveitado, tipo baralho ou mesa de sinuca - claro, para muitas pessoas, isso é divertidíssimo e eu respeito. Para mim, leitura é uma das melhores formas de fazer render o tempo. Também um bom filme ou uma dança.

Tudo depende do ponto de vista. Certa vez, Ronaldo deixou o carro no estacionamento/lavacar e os funcionários ficaram se perguntando:
- Mas essa marca no vidro parece pegada de macaco!
- Imagine, tá louco! Quem é que vai ter carro com pegada de macaco? Deve ser gato ou criança...

Rolou praticamente uma aposta por lá.
Era pegada de macaco. Tínhamos ido ao Simba Safári, em São Paulo - como diz a propaganda do Omo, a vida é para se sujar um pouco. Se o primeiro apostador não tivesse pensado no improvável...
Ou seja, melhor pensar duas vezes antes de rir do ponto de vista alheio.


Quando a apple chegou, computador deixou de ser muito bege.

sábado, 5 de março de 2011

Em transição lunar


[imagens da web]

Desde pequena, por indicação de uma cabeleireira, corto cabelo na Lua Nova. Não é uma questão de vida ou de morte, mas, como cabelo é algo que dá para esperar (até porque os meus estão quase sempre longos, ondulados e esvoaçantes), penso que não custa nada e criei uma ideologia própria: sei lá, na Lua Minguante pode ficar minguado; na Cheia, ainda mais cheião; na Crescente, crescer rápido e frágil. Se a Lua influencia as marés, não é?...

Pois, conversando com a minha amiga Vitória, jornalista e mui conhecedora de Astrologia, ela pesquisou a minha Lua Natal. E me disse que, além de ser aquariana, com ascendente em Sagitário e Lua em Leão (quem conhece um pouco da Astrologia, sabe que esta é uma combinação bem louca-rebelde-desvairada-libertária-totalcrazy... não fosse uma Vênus em Capricórnio segurando as pontas!), nasci num dia de transição lunar, da Crescente para a Cheia. Assim, essa transição lunar é a minha "Lua Natal".

Se mulheres já são de fases, imaginem uma nascida em transição!

Segundo a Vi, "reza a lenda" que cuidados com a beleza (corte, hidratação, etc.), quando feitos na Lua Natal, dão resultados mais satisfatórios. E é claro que eu fiquei doida para experimentar!!! Assim, estou bem propensa a guardar no armário, ao menos por uma vez, a minha lenda lunar de infância para vestir a roupa de festa da Lua Natal. A espera de 18 de março... No mínimo, vale pelo lúdico.



Eu, astrologicamente, na leitura da Vitória
(em resposta à minha pergunta sobre por que eu não voava de asa-delta, tendo os signos solar e ascendente que tenho. Se bem que construí asas e tentei voar aos cinco anos (me ralei e culpei os EUA por terem inventado o desenho do Homem Pássaro).
(e vai nas palavras dela - que é um doce! - para ninguém achar que sou pretensiosa, rss...)

"Não é a sua Lua que está num signo mais calminho e sim boa parte do seu ascendente. Você tem o Sol em Aquário e o ascendente em Sagitário, mas ele fica nos últimos graus e pertence ao terceiro decanato, por isso, a sua Casa 1 é quase que integralmente no signo de Capricórnio, o que segura um pouco os ímpetos. Você nasceu num domingo, dia regido pelo Sol, por isso, sua personalidade é bem "solar", digo, expansiva. A Lua estava na fase crescente e no signo de Leão, portanto seu signo Lunar também é regido pelo elemento Fogo e esses detalhes também reforçam seu lado mais dinâmico, extrovertido e seu magnetismo pessoal. Mais uma curiosidade: você nasceu num ano de Júpiter, por isso, deve ser generosa, alto-astral e otimista.
Mais umas coisinhas que podem ser interessantes para você saber:
Sua Vênus é capricorniana e está na Casa 1, sinal de que você é bem vaidosa e gosta de cuidar da aparência nos mínimos detalhes, mas também é rígida consigo e as vezes não fica contente com a sua imagem. Você atrai homens com temperamento Terra, ou seja, mais realistas, responsáveis e que têm os pés no chão. {P.S. da Érika: não é que esse é o Ronaldo???}
Seu Marte está em Gêmeos, na Casa 6, tornando você um pouco impulsiva e apressada para fazer as coisas no trabalho, mas é dinâmica e está atuando numa área que tem tudo a ver com o signo que rege o trabalho em seu Horóscopo: Gêmeos. Você pode se interessar por caras que se parecem com o perfil geminiano - inteligentes, bem relacionados, conversadores e que estejam sempre em sintonia com tudo o que acontece no mundo. Você se sente atraída por signos do Ar. {P.S. da Érika. Para casar é Terra que não sou boba nem nada!!! Rss...}
Na pontuação dos elementos, seu mapa está assim:
FOGO = 6 pontos
TERRA = 4 pontos
AR = 4 pontos
ÁGUA = 2 pontos
Isso significa que o seu padrão de comportamento e seu tipo psicológico predominante é o Fogo, força Yang, que lhe dá muita energia para tudo. Você é confiante, age pelo instinto, não tem medo de se arriscar em situações novas e gosta de viver tudo com muita paixão. Seu segundo elemento é Terra, com 4 pontos, o que poderia refrear um pouco a sua porção impetuosa, mas na soma dos elementos Ar e Fogo, que são da mesma polaridade (Yang) são mais fortes, por isso, você é ATIVA e não receptiva. De Água, tem pouco, apenas 2 pontos e isso pode denunciar até uma certa dificuldade de expor suas emoções, pois esse elemento é a representação do sentimento."

Valeu, Vi!!!

Bom, esta sou eu astrologicamente. Mas, como dizem os cientistas, também tem a genética, o ambiente, a TPM...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Meu potinho de flores


Na verdade, é um potinho de pétalas. Pétalas de flores graciosas de momentos doces da minha vida. Começou com pedacinhos do meu buquê de noiva. Uma a uma, novas pétalas foram surgindo em aniversário de vida, de casamento ou num dia qualquer, surpresa meiga. Sempre vieram acompanhadas do carinho do Ronaldo.
Gosto de flores, apesar de achar triste o fato de que elas murcham. É a vida. E o potinho foi um jeito que encontrei de guardar um pouco delas, consciente de que as melhores lembranças estão ali dentro dos meus pensamentos. Esse potinho também me lembra uma metáfora de vida, cultivo de amor.

Já que falei de como foi meu casamento no post anterior e, aqui, continuo a falar de amor, seguem mais algumas palavras memoráveis do Padre Beto.

Citando trechos marcantes da I carta de João ("Amemo-nos uns aos outros"; "Quem não ama não chegou a conhecer a Deus, porque Deus é amor."), Padre Beto chama atenção para uma ideia significativa: "Ninguém jamais viu a Deus". Muito tempo se pode gastar tentando entender o que é Deus (ou quem é, se é o não é...). Independentemente de crenças, Deus existe discursivamente, há o repertório de Deus na sociedade. Mas, para muito além disso, Padre Beto, naquele dia especial, nos chamou a atenção para o fato de que, se não podemos ter a vivência visual de Deus, "somos capazes de experimentá-lo através da experiência do amor", de modo que o amor nos aproxima de Deus, independentemente de sabermos defini-lo (seria "Lo", mas creio que não seja respeito linguístico o que falte a este mundo). "Deus, através da experiência concreta do amor entre duas pessoas, começa a fazer presença entre nós", diz Padre Beto. Entre outras palavras:

"Cuidem do amor que surgiu entre vocês. O amor vai precisar de tempo, de um local exato. Deverão dedicar um espaço e um tempo ao sentimento que surgiu entre vocês".
Cuidamos, assim como do potinho de flores, mesmo precisando driblar a falta de tempo.
"Casar não é somente amor. É também sinal de coragem, de fé na vida."


Padre Beto teve a delicadeza de celebrar por nós uma cerimônia realista, "antenada", poética, sem resquício de machismos. Mesmo assim, ficou uma brincadeirinha entre nós (Ronaldo e eu). Há um trecho padrão a ser lido que fala sobre a esposa "adornar o lar". Vez ou outra, Ronaldo me traz, então, uma florzinha para adornar o lar junto comigo. E, justamente por ter muitas atividades fora de casa, por não ser uma obrigação ficar em casa, adoro quando tenho um tempinho (raro) para... não necessariamente adornar, mas curtir o lar.