sábado, 12 de maio de 2012

Saudade de uma Bauru


Quase sempre, nem vemos o tempo passar. Mas ele passa. E, de repente, me vejo sem qualquer vontade de andar pelo centro de Bauru, onde certamente vivi bons momentos, dos passeios com os pais ao verdadeiro primeiro beijo, com o meu verdadeiro primeiro amor.

E hoje acho o centro de Bauru chato, cheio, quente... O que se há de fazer? Mas há tempo eu não parava para pensar nas mudanças que ocorreram nos últimos dez anos. Lendo a crônica do meu aluno Agenor (aliás, foi um exercício em sala de aula que me proporcionou a leitura de deliciosas crônicas!), pensei nessa saudade toda, nessa loucura toda. Isso me lembra uma antiga crônica minha, escrita na faculdade (nota mental: procurar para publicar aqui).

Cada cidade vai deixando um tipo de saudade para cada pessoa.  
Eu ainda gosto de ver as árvores de Bauru.



Com vocês, a crônica do Agenor. 

Bauru costumava ser mais divertida. Quando tinha meus nove, dez anos, acreditava que essa cidade era mágica. Me encantava com cada cantinho, cada esquina, cada lugar que eu visitava. Criei as lembranças mais felizes e fiz os melhores amigos que alguém pode ter.

Porém, o tempo passou, eu cresci e a cidade perdeu o encanto. Não sei se foi por eu ter ganhado uns anos a mais de vida e perdido a inocência que tinha quando criança, mas fato é que Bauru não é mais a cidade empolgante e colorida que eu conheci nos meus tempos de colégio.

Na minha época, as ruas não tinham tantos buracos, as crianças do bairro podiam brincar durante a noite sem medo dos criminosos, não faltava água nas casas, as praças eram mais limpas, e o bosque era mais verde.

Contudo, hoje em dia, o que vemos são ruas intransitáveis por conta dos buracos, assaltos que ocorrem à luz do dia, praças devastadas e sujas, bairros que sofrem diariamente com a falta de água e um bosque esquecido pela comunidade.

A cidade, que leva o mesmo nome do sanduíche conhecido pelo seu sabor incomparável, perdeu seu ingrediente principal, tornando-se insossa, previsível e entediante.

Sinto saudade da Bauru de dez anos atrás e fico triste pelas crianças que não vão conhecer a cidade da mesma maneira que eu conheci, como um lugar apaixonante, encantador e cheio de charme.

Agenor Rodrigues Júnior, segundo ano Jornalismo/USC.

Um comentário:

  1. Adorei a crônica e com isso fiquei com muita pena de Bauru... É o que vocês disseram, ela era mágica e os moradores e líderes políticos a deixaram com essa cara cinza e entediante. Acho que as crianças dessa geração têm a mesma impressão que Agenor sobre Bauru, que é uma "ótima cidade" e vão se desencantando com o tempo (e neste momento, nós, que a conhecemos ainda mais encantadora, estaremos horrorizados).

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