domingo, 30 de setembro de 2012

Encontro especial

Esperei com ansiedade por esse momento especial da viagem. No almoço do mesmo domingo de Rembrandt, reveria amigos noruegueses em Amsterdam! Gretta e Erling foram um de meus hosts no intercâmbio à Noruega em 2009. Queridíssimos! Na época, despedimo-nos com a esperança de um reencontro. Mantenho o sonho de retornar à Noruega, levando o Ronaldo para conhecer os lugares lindos que vi. Ainda não foi possível. No entanto, como Amsterdam e Stavanger separam-se apenas por um voo de 1h30, os amigos gentilmente se deslocaram para nos encontrar e conhecer o meu marido, de quem eu tanto tinha saudade lá na Noruega.


E, assim, almoçamos juntos em um dia ensolarado de Amsterdam, com leve ventinho. Em seguida, um tour de barco pelos canais.


À noite, um jantar mais que especial no fish restaurant Lucius (veja só a sobremesa sobre a qual comentei em outro post).


Depois do jantar, ainda paramos para uma taça de vinho no Café Reynberg (ao lado do Irish Pub), lugar cheio de moçada e agitação (só não tão agradável, pelo menos para mim, por causa do cigarrão que rola solto na Europa).

No dia seguinte, nos encontraríamos novamente para um passeio em Volendam.
Foi muito gentil da parte deles me proporcionar mais este momento de carinho. Foi com muita dedicação que receberam a nós, brasileiras intercambistas do IGE-Rotary e nos deixaram entrar em seus corações, assim como entraram nos nossos. Pode passar o tempo que for, não nos esqueceremos deste casal.

Vou contar mais. 

domingo, 23 de setembro de 2012

Rembrandt

É possível viajar no tempo ou somente no espaço?
Sim, também é possível viajar no tempo e a Europa proporciona essa experiência.
Em Amsterdam, assim como revivemos um pouco da história de Anne Frank e adentramos o universo de Van Gogh, também retornamos ao período barroco pós Renascença e visitamos, literalmente, a casa de Rembrandt.

Considerado um dos mais importantes representantes da pintura barroca, Rembrandt Harmenszoon Van Rijn (1606-1669) nasceu em uma família simples. Desde cedo, interessou-se pela pintura e, a partir da década de 1930, passou a ter seu talento reconhecido. Como acontece com a maior parte dos artistas, suas obras hoje valem muito mais do que ele poderia prever.

            Do outro lado dessas janelas, espiaremos o universo de Rembrandt.

            A cozinha é tida como um dos ambientes mais aconchegantes da casa. É o primeiro na rota da visita.

            Na cozinha, fica a cama-box da funcionária do lar.

            E esta é a cama-box do próprio Rembrantd, num cômodo cheio de pinturas. Cama-box era um conceito da época. Diz-se que as pessoas eram de estatura mais baixa. No salão de visitas, havia quatro dessas a serem gentilmente cedidas para hóspedes que pernoitassem.

            E, então, podemos xeretar o ateliê em que Rembrandt ensinava seus pupilos, assim como aprendeu com Jacob van Swanenburgh. 

          Entre tintas e ideias, ali, um dos principais pintores do barroco europeu criava e ensinava.


Fizemos esta visita na manhã do domingo, 22/07. Claro, não sem antes dar uma namorada na paisagem de flores-canais-bicicletas. Entrada do museu: 10 euros por pessoa. Tem audio-guide incluído e pode fotografar. Há souvenirs graciosos na lojinha, como gravuras e miniaturas da casa.

No caminho de Singel a Rembrandthuis, uma das ruazinhas que cortamos nos revelou uma loja de malas da Kipling. Resolvido nosso problema com a bagagem da volta! Precinho tão bom que me arrependo de não ter feito mais compras por lá. Fiz um cartão de fidelidade para acumular pontos na compra de Kipling. Só vale em Amsterdam (voltar para lá!). A vendedora ficou feliz quando leu no formulário que minha nacionalidade era brasileira, pois estava aprendendo português e falou um pouco comigo. Legal o interesse, não?

O domingo foi incrível demais para resumir em um post. No almoço, encontraríamos amigos muito especiais. Será assunto do próximo post.


Mais informações:
http://www.rembrandthuis.nl/
http://www.suapesquisa.com/biografias/rembrandt.htm

domingo, 16 de setembro de 2012

Sábado em Amsterdam

Anne Frank, Van Gogh...

21/7 foi o primeiro dia em que amanhecemos em Amsterdam.
Comentei no post anterior que Amsterdam foi mais tranquilinha, com menos despertador... Mas quem é que quer ficar só de cochilo na Europa?
Apesar do verão e de um solzinho, o vento frio permanecia, e lá fui eu com o meu casaquinho de Paris pelas lindas ruas floridas e repletas de bicicletas.



Caminhamos do Hotel, no canal Singel, até a Casa Anne Frank. Tínhamos ingressos comprados desde o Brasil para o horário das 9h45. Eis uma boa dica: comprando através do site, você economiza uma longa fila, já que este museu é pequeno e muito procurado. Optamos por participar do "30 Minute Program in English", sempre se pode aprender um pouco mais.


            Prinsengracht 263

Como já comentei em post deste blog, a História de Anne Frank não pode ser esquecida! Antes da viagem, reli o diário para, assim, aproveitar melhor a visita. Pensar que, a primeira vez em que li o diário, eu devia ter uns 15 anos, não sabia que, mais tarde, eu visitaria a Holanda, terra que Anne amou por, na medida do possível, tê-la acolhido melhor do que seu país Natal, a Alemanha dos tempos de Hitler. Menos ainda imaginei que passaria pela estante-passagem-secreta e entraria no esconderijo.

Para possibilitar o trânsito de visitantes, o esconderijo, hoje, não está mobiliado. Você circula nos espaços e vê fotos de como eles eram durante os quase dois anos que esconderam as duas famílias, Frank e Van Pels, mais o dentista que chegou depois. Mesmo sem a presença dos móveis que deram ares de lar ao esconderijo, você circula nos ambientes reais, com a pouca luz disponível aos que não poderiam ser vistos. E imagina o que deve ter sido viver ali por tanto tempo, nos limites das paredes e do silêncio e da penumbra, quando se almejava tanto a vida. Juro que a vontade é de gritar por ar puro, chorar de saudade do sol. E Anne lutou com as forças que tinha, podendo apenas ter vislumbres da natureza por meio do castanheiro que, quando podia, via através da janela.

Triste. Enfim.

A livraria da Casa Anne Frank possui muitos livros interessantes, incluindo versões do Diário em vários idiomas. E fiquei muito feliz em encontrar um livro que eu não sabia se estava publicado: os contos de ficção escritos pela Anne nos tempos de esconderijo! Trouxe uma versão em inglês. Na fila de leitura.

            Parada no famoso letreiro, concorrido para fotos


Da Casa de Anne Frank, seguimos para o museu Van Gogh. Também há opção de comprar ingressos antecipados pelo site ou optar pelo I Amsterdam Card, mas não o fiz. Pegamos trinta minutos de fila, o que não é insuportável. Chamem-me de boba, mas, neste caso, adorei trazer o ingresso bonitinho (com girassóis e tudo) para colar no meu álbum, em vez do impresso em casa pela internet.

Antes de bater pernada pelo museu, paramos na lanchonete dele, pois já era hora de almoço. Depois, circulamos pelas obras. Como Van Gogh se autorretratou!!! E mais parecem tentativas de auto-conhecimento do que algum tipo de narcisismo. E retratou ainda tantas outras coisas... Incluindo lindas visões de margens do Sena de minha amada Paris.


Em seguida, passamos num Shoopping, onde consegui dois casaquinhos para dar uma variada no visu. Nada de achar uma mala. Compramos alguns souvenirs pelas ruas. Voltamos no italiano para jantar, porque eu estava precisando de uma refeição saudável e consistente, sabia que encontraria por lá. Depois, Häagen-Daz e o gostoso sorvete de créme brûlée.

Ainda era claro, muitas pessoas divertindo-se pelas ruas. Passamos ali perto da Heineken, mas não somos loucos por cerveja, especialmente eu.

Perguntamos numa loja de souvenir e a Red Zone não estava longe. Fomos dar uma olhada. Não era cedo, mas ainda estava claro, então não chegamos a ver o clima escurinho sob luzes vermelhas. Mas vimos algumas garotas de lingerie nas vitrines, chamando a atenção dos passantes. Foi simples e tranquilo caminhar por lá, sem necessidade de guia. É só seguir o conselho de jamais fotografar as vitrines. Bem interessante para conhecer este aspecto peculiar da cultura holandesa.

Começou a escurecer por volta de 10 da noite.

Logo, logo, contarei sobre o domingo.

domingo, 9 de setembro de 2012

I Amsterdam


Canais, bicicletas e flores são três palavrinhas que dão uma ideia básica sobre esta pequena e singela capital.

Amsterdam foi assim o último suspiro de nossa viagem. E esse suspiro não poderia ter sido mais poético. Passaríamos nossas quatro últimas noites europeias na cidade dos canais. Chegamos numa sexta à noite, 20 de julho, by train e, na manhã da terça, 24, pegaríamos do Schiphol nosso voo KLM de volta para o Brasil.

Programamos para que Amsterdam fosse um pouco mais leve, com menos museus (sem abrir mão de três que eram muito especiais para mim), menos despertador, com mais caminhadas sem compromisso, sem destino certo, num compasso um pouco mais lento, apreciando a beleza da cidade. E não poderia ter sido melhor!

Ficamos hospedados num hotel simples no canal Singel. O Hoksbergen Hotel nos proporcionou o que precisávamos: limpeza, um café da manhã simples e satisfatório, uma localização mais que perfeita e um preço super aceitável. Um inconveniente: não tem elevador e as escadas de Amsterdam são bem estreitas para andar com malas. Na volta, foi necessário que o Ronaldo fizesse quatro viagens de escada, pois eu não arrisquei nem a mala de mão na descida. Mas já sabíamos desse desafio e a relação custo-benefício compensou. De qualquer forma, anotei outras opções de hotel para um futuro retorno e/ou sugestões a quem interessar.

           Rua do nosso hotel, no canal Singel

Nossa localização foi realmente privilegiada. Primeiro, porque a rua, por si só, era uma belezinha para ser apreciada. Segundo, porque estávamos a poucos passos de tudo. Menos de 10 minutos para a praça Dam ou o Mercado de Flores. Seguindo para o outro lado, menos de 15 minutos para a Casa de Anne Frank. Ainda por outro caminho, uns 10 minutos até a região de restaurantes, que era um verdadeiro festival gastronômico. Tudo pertinho para ir a pé.

No primeiro jantar, optamos por um restaurante italiano muito simpático, que fica numa esquina e se destaca pela decoração italiana (não tem só pizza e massa, não, comemos ótimos grelhados por lá). Depois, sorvete na Häagen Dazs. E um gostoso passeio a dois para aproveitar a iluminação do dia que, no verão, se estende até as dez da noite. Esta foi a noite de sexta.

Outros três dias muito especiais nos aguardavam. Vou contar sobre eles aqui nos próximos dias (ao menos um post por semana). Peço só um pouquinho de paciência aos meus poucos e queridos leitores, já que o trabalho me chama com chorinho de nenê. Assim, a gente faz um suspense gostoso, né?! Posso garantir que foram dias inesquecíveis. Logo conto aqui.

domingo, 2 de setembro de 2012

O Muro de Berlin

Lembro-me da professora de História ter chegado na sala e dito, não exatamente com essas palavras: "A História mudou! O muro de Berlin caiu!" Eu ainda era criança e não sabia bem o que era o muro de Berlin. Sabia quase apenas que existia o tal muro, pois sempre ouvia falar dele nos noticiários, assim como ouvia falar muito sobre Guerra Fria. Bomba atômica. Terceira Guerra Mundial. Dava medo. 
Tudo indicava que o fato de novembro de 1989 era uma boa notícia, ainda que eu não entendesse tão bem o que ele representava. 
Berliner Mauer. Construído em 1961 pelas tropas fronteiriças da RDA. Um lado era americano, o outro soviético, conforme dividido entre os temporariamente aliados que venceram Hitler na Segunda Guerra Mundial. Familiares foram separados pelo muro, linhas de metrô foram bloqueadas, o mundo se dividiu ao meio através de Berlin.

Ninguém podia pular o muro. Muitos morreram tentando, como mostra o "curriculum" da galeria. 




A queda do muro transformou-o em um símbolo da mudança pela Paz e pela Liberdade. Hoje ele é uma linda galeria, a maior galeria de arte a céu aberto. E está ali para lembrar o quanto o ser humano pode ser cruel e segregador. E o quanto pode ser forte e libertário, construindo um mundo melhor. Hoje, são relíquias pintadas por artistas. Que assim seja. 


Sei, é claro, que a queda dele não foi um passe de mágica. Foram necessárias certas condições históricas. Que um estado de revolução inspirasse um anúncio governamental sobre a permissão de ir e vir e as fronteiras se abrissem. Que, antes, certas condições inspirassem o estado de revolução. Como ato simbólico, o muro foi então derrubado por soldados e civis. Dois anos depois, viria o fim oficial da República Socialista da União Soviética e da Guerra Fria. Viriam também outras guerras.

Emocionante ter estado lá! E dos dois lados. 
A propósito, a galeria fica do lado leste.
A beleza e a arte podem vencer a guerra.
É inspirador o poder de transformação.