quarta-feira, 21 de agosto de 2013

The Clinic - sabor com política e humor

A amiga Astrid nos levou a um barzinho muito divertido (fora do roteiro turístico tradicional de Santiago, mas não difícil de chegar, mais ou menos perto da Estação de metrô Universidad Católica).


A peculiaridade do The Clinic sãos as charges políticas ou as chamadas "farândulas". Nem de direita, nem de esquerda, The Clinic satiriza a todos. Se um ministro cai, acende-se uma vela in memoriam neste bar. O cardápio se assemelha a um jornal.



Provamos comidinha boa! Tudo indicado pela nossa super guia amiga chilena, Astrid!

Tabla The Clinic: carne con chimichurri; empanadas carne e queijo; “choripan”, que é o pão com linguiça ou a versão de cachorro-quente chileno, ao que parece, mais inspirado na Alemanha do que nos States.
Também uma porção de Congrio, que é um pescado frito.


Ronaldo provou das duas cervejas mais indicadas pelos chilenos, Kunstmann e Austral. E eu experimentei um "Terremoto", bebida com vinho branco e sorvete de abacaxi (mesmo não sendo muito forte, prefiro manter aquela moderação para estar firme e forte na viagem e subir os cerros do caminho!)



E, claro, nosso clic to remeber. Salud!


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Cerro Santa Lucía - Chile


A amiga Mara havia descrito o Cerro Santa Lucía como "lugar lindo e histórico" - foi exatamente essa a minha impressão, espaço de uma beleza singela e repleto de história para contar.

Como tem uma localização central, não é difícil encontrar um tempinho de passar por lá entre um passeio (ou compromisso) e outro. São 70 metros de escadas e rampas para subir, que não me pareceram cansativos (tranquilinho para quem subiu a pé o San Cristóbal!), porque, a cada trecho, encontra-se um ambiente diferente do outro, cada um com seu charme - uma fonte, um jardim, um monumento histórico, uma praça com banquinho para descansar tomando um sorvete.




O aspecto de torre antiga (outrora, resistência chilena) se intensifica pelos trechos de escadas de pedras e, não poderia faltar, o bom e velho canhão.


Por todos os ângulos, os mirantes proporcionam belas vistas da cidade, com a insubstituível muralha das cordilheiras.


Conta-se que a cidade de Santiago foi fundada aos pés desse morro, que se transformou em fortaleza por parte dos conquistadores fiéis ao rei da Espanha. Antes, se chamou "Huelén", na língua indígena, ou "cerro de la dor". Era o local que as índias escolhiam para dar à luz.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pôr do sol em Viña del Mar

Podem até dizer que não fiz certas coisas nessa vida (afinal, o tempo parece tão curto para todos os sonhos), mas não que deixei de apreciar o pôr do sol.

Os mais inesquecíveis não foram procurados, mas encontrados pelo meio do caminho.

Como neste momento, em Viña del Mar, Chile


Mirando el Pacífico en el fin de tarde...

Meu amor, eu e o Pacífico. Águas gélidas, luzes quentes

E por falar em paisagens, descendo a escadaria para o Reloj de Flores, pedi a câmara ao Ronaldo. Eu estava enxergando esta foto:


Aquele louco princípio da física! Enquanto uma de mim está aqui escrevendo este texto, outra ficou apreciando um pôr de sol chileno. Outras de mim em cada pôr do sol...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Sabores do Chile - Tierra del Fuego

Entre Valparaíso e Viña del Mar, paramos para o almoço.
Já em Vinã del Mar, a amiga Astrid e sua mãe nos indicaram um restaurante com vista para o Pacífico, o Tierra del Fuego.

Só pela paisagem, já valeria a pena. Ainda mais em boa companhia!

O cardápio é excelente!
Eu, como adoro um peixinho, fui de salmão austral:


Sabores inesquecíveis!


Chile: Valparaíso e Viña del Mar

A duas horas (de ônibus) de Santiago, capital do Chile, está Valparaíso, uma cidade histórica que preserva a tonalidade de seus tempos outrora mais dourados.

Em Valparáiso, há prédios históricos, morros, ruazinhas coloridas e vista para o mar. Há uma ruazinha, cujo acesso é de funicular, que lembra o Pelourinho baiano, segundo a nossa amiga chilena, Astrid.




É lá também que fica La Sebastiana, uma das três casas do poeta Neruda.

Coladinha em Valparaíso, fica a cidade-balneário Viña del Mar, de onde você admira o Pacífico (de casacão, pois a água é gelada) e os mais belos desenhos que se formam na paisagem ao pôr do sol.

Descendo por uma escadinha (escadão?), está o Reloj de Flores:



Por lá também há um hotel com cassino muito famoso (que pouco me atraiu diante do pôr do sol) e um grande estádio onde ocorrem os festivais musicais de fevereiro. Em 2010, trinta minutos após o término do festival, houve um terremoto e o teto do estádio desabou; felizmente, após as pessoas já terem deixado o local.

          Sede dos festivais de fevereiro em Viña del Mar

Sorte que, antes da viagem, não me lembrei de que, vez ou outra, o Chile tem terremoto. Nos elevadores, o aviso:

"Não utilizar em caso de incêndio ou terremoto".

Mas são fenômenos mais raros.

Valparaíso e Viña del Mar são preciosidades chilenas.

Claro, não poderia faltar um clic to remember!


E uma ótima sugestão para almoçar em Viña del Mar: Restaurante Tierra del Fuego, com comida saborosa e vista panorâmica (tema do próximo post).

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sabor peruano no Chile - Perú Mio

Um brinde com "Chica Morada" sem álcool - um sabor meio doce, meio cítrico, uma mistura entre uva e limão, mas não só isso... uma delícia! Queria outro agora!!!

O Chile tem muito da cultura peruana, especialmente na culinária, por causa da forte presença de imigrantes do país vizinho. Com tanta variedade de restaurantes peruanos, difícil é escolher em qual ir. Muitos deles são excelentes, porém é necessário ter um certo cuidado para não cair em uma furada, já que a comida, em boa medida à base de peixe cru, precisa ser muito bem preparada, inclusive por questões de saúde.

Particularmente, adoro peixe fresco, desde que preparado com precisão. 

Tivemos o privilégio de conhecer um restaurante peruano indicado por um legítimo conterrâneo do delicioso sabor, o professor Raúl Bendezú, que é de Lima e leciona na Universidad de Santiago. Ele nos convidou para um verdadeiro jantar peruano e nos brindou com a sua companhia.


          O famoso "pisco sour". O de maracujá é o mais tradicional. Tipo uma "caipirinha", mas é possível pedir um suave

Eu estava cansadinha depois de um dia de reuniões, mas professor também precisa se alimentar, não? Os sabores me revigoraram.

Após o brinde, o professor nos indicou que o convencional é pedir duas tábuas peruanas, uma fria, outra quente. A fria, à base de frutos do mar frescos de sabores bem sofisticados.



O restaurante Perú Mio fica meio escondido, descendo uma escada subterrânea, próximo à Estação de metrô Universidad de Chile. A decoração é típica e elegante.


E um clic to remember Peru em Chile...


PS: Se você quer realmente conhecer a realidade de um país, ande de metrô! Neste dia, encaramos o período entre "6 e 8 da noite", em que você fica mais ensardinhado do que em São Paulo!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Jornalismo na Escuela de Periodismo de Pontificia Universidad Católica de Chile




A Escuela de Periodismo de Pontificia Universidad Católica de Chile (comunicaciones.uc.cl), já num primeiro momento, causa impressão muito positiva pela sua estrutura.
Meu contato inicial foi com o diretor da Escuela de Periodismo da Facultad de Comunicaciones, professor Gonzalo Saavedra. 


Durante a visita, fui acompanhada por uma equipe de professores da Escuela de Periodismo de Pontificia Universidad Católica de Chile, composta por: professor Cristóbal Edwards, director académico de Magíster en Prensa Escrita; professora Paulina Bakovic, subdirectora de asuntos estudiantiles de la Facultad de Comunicaciones; professora Marisol Pinochet, coordinadora académica de la Escuela de Periodismo;  professor de televisión Sebastián Alaniz.

          Nesta foto, professor Sebastián Alaniz, eu, professora Marisol Pinochet e professora Paulina Bakovic

Trocamos ideias sobre os cursos de jornalismo e nos foram apresentadas as dependências da Escuela de Periodismo, que conta com laboratórios de redação (semelhantes aos nossos brasileiros); algumas salas pequenas para uso individual ou em pequenos grupos para edição de áudio e imagem (as pequenas ilhas de edição de TV são um diferencial); estúdios de rádio; estúdio de TV em tamanho padrão, com switch e ilha de edição convencional; um estúdio maior (realmente muito bonito e do qual a equipe tem bastante orgulho), que é utilizado para gravação de trabalhos mais elaborados, como entrevistas e documentários. 

          Laboratório de redação
          Abaixo, laboratórios de TV



O grande estúdio é a menina dos olhos:



O estúdio menor (o que não significa pequeno) também é bastante estruturado:


Ilhas de edição privativas para trabalhos dos estudantes:


 Laboratórios de Rádio:



Assim como no caso das universidades públicas que visitamos, o curso de Jornalismo da Universidad Católica também conta com disciplina relacionada à expressão oral, “habilidades comunicativas orales”, com foco no uso eficiente e criativo do corpo e da voz. Fomos informados de que existe uma contribuição da Escuela de Artes para ministrar essa disciplina, porém o professor Sebastián Alaniz, de televisão, também está habilitado para o tema.
A equipe, e particularmente o professor Sebastián Alaniz, elogiou bastante a iniciativa da TV Digital Unesp. Há interesse em implementar um projeto semelhante por lá.

A grade curricular do curso de jornalismo da Universidad Católica de Chile pode ser acessada através deste link.

O reconhecimento da boa estrutura desta universidade não deve implicar a ideia de que não haja preocupação com o conteúdo. Prova disso é que a Universidad Católica de Chile ficou em segundo lugar no ranking de melhores universidades latino-americanas de 2013, atrás apenas da USP-São Paulo.

* Realizei visitas técnicas em universidades chilenas durante o mês de julho de 2013, quando também tive oportunidade de conhecer um pouco da cultura do país.

Jornalismo em Universidades Públicas do Chile

1. Universidad de Playa Ancha – UPLA – Valparaíso, Chile (http://www.upla.cl/).

A reunião acadêmica com o professor César Pacheco, que representou o corpo docente do curso de Jornalismo da UPLA, ocorreu fora da universidade, visto que esta se encontra em estado de greve e ocupada pelos estudantes, que reivindicam especialmente a gratuidade no ensino público. No Chile, os estudantes pagam mensalidades, mesmo nas universidades públicas e, segundo relato do professor César Pacheco, os valores são muito próximos aos das universidades privadas. Este é, portanto, o principal aspecto que diferencia as reivindicações dos universitários chilenos em relação aos de outros países da América do Sul, como Brasil e Argentina, já que estes países contam com a gratuidade do ensino e pautam suas reivindicações especialmente em políticas de permanência estudantil.

Observemos que, durante a grande crise econômica da Argentina do ano 2000 (que inclui o "megaconfisco bancário" de dezembro de 2001), protestos de universitários argentinos foram o principal motivo da queda do ministro da economia Ricardo López Murphy, que tinha a intenção de implantar um custo para os alunos de universidades públicas, em uma sociedade já empobrecida pelo desalinhamento econômico. (sobre a economia argentina, o capítulo "A Esquizofrênica economia" do livro Os Argentinos, de Ariel Palacios, é bastante esclarecedor).
Tendo em vista o momento político, o debate com o professor girou em torno do tema jornalismo, e também sobre a educação como um todo e os movimentos estudantis no Chile. 

          Em reunião com professor César Pacheco, da UPLA


2. Universidad de Santiago de Chile - Usach, Santiago, Chile (http://www.udesantiago.cl/)
 
A segunda universidade pública que visitamos foi a Universidad de Santiago de Chile. 



Fui recebida pela professora Anamaría Egaña Barahona, Jefa de Carrera da Escuela de Periodismo da Universidad de Santiago. Como já estávamos em contato por e-mail há algum tempo, ela havia me enviado a grade curricular do curso de jornalismo e, a partir da grade, agendamos reuniões com alguns professores do corpo docente.  

          Reunião com Professor Roberto Poblete, de "Técnicas de la Expresión Oral", em Universidad de Santiago de Chile

Interessei-me por saber mais sobre a disciplina ministrada pelo professor Poblete, pois não temos em nossos currículos de jornalismo. De modo geral, trabalhamos um pouco sobre expressão nas disciplinas que envolvem o audiovisual, porém as universidades chilenas dão um foco mais específico a esse aspecto.

Observo que a formação do professor Poblete é bastante apropriada para o foco na expressão, já que ele é ator (aliás, consagrado no Chile, com peça de teatro em cartaz e participação em telenovelas). 

O professor nos relatou que trabalha com técnicas laboratoriais de jogos e ficção, incluindo musicalização de notícias. Teoricamente, acredita que o jornalismo se deva assumir como um tipo de ficção; afinal, não nos expressamos diante de uma câmera da mesma forma como em outras situações, ou, como poderia dizer de um ponto de vista discursivo, como em outras "cenografias".

O debate foi bastante produtivo também no sentido de enfatizar o quanto o respaldo teórico é importante, mesmo em uma disciplina bastante prática. 

Professor Poblete mencionou que um dos aspectos que justifica a importância dessa disciplina nos currículos de jornalismo do Chile é que o povo chileno é tipicamente mais tímido e a disciplina ajudaria a adquirir mais desenvoltura para a profissão, que necessita tanto de bagagem crítica e cultural quanto de uma postura ativa. Concordamos com o professor e acreditamos que, embora o povo brasileiro seja estereotipicamente conhecido como mais desinibido, uma disciplina como esta pode vir a contribuir também para com a formação do jornalista brasileiro.



          Reunião com professor Raúl Bendezú, que ministra "Gestión y Empresa de la Comunicación"
  
Professor Raúl Bendezú defende que os estudantes da universidade pública sejam críticos em relação às grandes empresas jornalísticas e, inclusive, empreendam seus próprios negócios. O docente contou que divide com seus alunos sua experiência anterior como empreendedor (embora hoje se dedique à universidade) e os orienta também, do ponto de vista prático, sobre como montar uma empresa. Seus alunos fazem um trabalho prático e vão a campo aprender os passos formais e legais para abrir uma empresa; buscando entender sobre a legislação chilena, registros de patentes, impostos internos etc.
Este professor também atua diretamente em discussões sobre reforma curricular e nos declarou que a Universidad de Santiago, como universidade pública, tem muito claro seu papel de proporcionar uma formação crítica.
Conversou conosco, ainda, sobre a centralização de propriedade midiática e o consequente efeito do que chamam de “farandulização”, fenômeno que tem relação com o sensacionalismo. Nesse contexto, a universidade se preocupa em como fazer uma estratégia de comunicação: colocar-se a serviço das grandes empresas ou recuperar as expectativas sociais? Como se constroem as diferentes expectativas sociais? A opção da universidade pública é, portanto, enfrentar essa realidade social que se apresenta com muita contradição. Para esta discussão, o professor se baseia em Bauman e na sociologia da experiência.

Observo que a Universidad de Santiago também se encontra em situação de greve estudantil. Os estudantes haviam ocupado a universidade, porém, na ocasião de nossa visita, a entrada na universidade estava permitida.


* Realizei visitas técnicas em universidades chilenas durante o mês de julho de 2013, quando também tive oportunidade de conhecer um pouco da cultura do país.