sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A despedida de Lisboa

Viajar é bom; voltar é preciso. E difícil!
Quanta saudade deixa cada viagem! Certamente, uma parte de mim vive em cada lugar. Cada viagem me torna mais cidadã do mundo e o sentimento da SAUDADE - esta palavra tão portuguesa - toma conta de todo o meu ser.
Porque estar em outro lugar é ter saudade de meu Brasil, de minha casa, meus pais e irmã, ainda que, com o marido junto, seja bem menos doloroso. Saudade de meu cantinho encantado, de meu pequeno-grande pedaço de mundo que não posso levar todo comigo. E chegar é trazer a saudade de toda a experiência vivida.

Meu eu é
Cada pedaço de mim

Foi carregada de saudade que disse adeus a Portugal. Partiria de Lisboa para o Brasil no dia seguinte, levando as melhores lembranças.

E não contei tudo sobre essa viagem ainda, não... Falta escrever sobre o Porto. E falta falar mais sobre o Chile, viagem anterior. Me sinto tão plena de experiências para dividir a partir das viagens!

Para mim, não existe destino "tem que ir". A viagem simplesmente acontece. E pode acontecer ali do lado, sem precisar de um avião.

Comigo, viagem é magia. Quanto mais eu voei para mais longe, mais enxerguei a beleza de cada momento por perto. E só quero continuar.

Enfim, uma hora, tive de me despedir de Lisboa. Ou melhor, dizer até logo, pois sempre sonho em voltar.






Minha vontade de escrita está borbulhando com impulso próprio, meus posts portugueses não estão em ordem cronológica.
Ainda vou contar sobre o Porto!

* * *
Texto: Érika de Moraes
Fotos: arquivo pessoal de Érika & Ronaldo

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Uma noite em Bairro Alto

O dia, um Domingo de céu azul, em que fomos conhecer o Santuário de Fátima, em Portugal. Sem planejar (apenas porque era no domingo que poderia ir até a cidade de Fátima), foi num dia de Imaculada Conceição que fizemos essa visita religiosa.

À noite, enfim, fomos conhecer o baladeiro Bairro Alto, onde costuma haver algum agito pela noite Lisbonense. A decoração natalina dava um clima especial às ruas. Era quase a nossa despedida. Quase, mas não ainda.

Passando pela Rua Augusta, arcos de Natal


Em Portugal, um dos momentos mais típicos e divertidos é o de pegar o bondinho. Ele pode até demorar mais que o metrô para passar, mas é o transporte público mais charmoso em que já andei!

Bonde para o alto!

Pelo Bairro Alto, caminhamos.
As opções de restaurantes eram várias, mas nenhum deles parecia muito cheio. Um garçom comentou conosco: era domingo, e o pessoal costumava sair mais aos sábados. Além de que o povo português andava meio sem dinheiro para comer fora... É, o país tem enfrentado uma crise, inclusive com reduções salariais e riscos de cortes de aposentadorias (E o Brasil que se cuide!).
Não foi neste da próxima foto que paramos para jantar, mas não poderia deixar de registrar esse cenário!


Esta é uma casa portuguesa, com certeza! Com certeza é uma casa portuguesa...

Entramos em um chamado Floresta da Cidade, cujo cardápio pareceu nos agradar. Note as janelinhas da próxima foto, ficam no nível da rua, que é uma típica ladeira lusitana.


Tim tim, meu amor!

O cardápio era mais gourmet, com pratinhos apetitosos e bem apresentados. Posso dizer que o preço era justo: cerca de 12 Euros o prato.
O marido foi de carne de boi ao molho de abacaxi e maçã-verde e eu, de bacalhau ao azeite (bacalhau a lagareiro).



E a noite, como não poderia deixar de ser, foi mais uma inesquecível...

* * *
Texto de Érika de Moraes
Fotos: arquivo pessoal de Érika & Ronaldo

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Ruínas do Carmo ao entardecer

É seu primeiro dia em Lisboa e você está cansado ao chegar do voo ou, caso venha de outra cidade da Europa, de trem. O que fazer para aproveitar esse finzinho de dia preguiçoso, mas que você não quer desperdiçar dormindo no hotel?

Aí vai a dica!
Faça um primeiro e descompromissado passeio pela Rua Augusta, também chamada Rua do Comércio, para ver o famoso arco e as diversas opções de lojinhas.
Como nosso hotel ficava perto da Praça Marquês de Pombal, começamos a caminhada desde lá, a pé, para namorar o caminho (e, por que não, também no caminho?), passando pela também famosa Praça do Rossio.

Vista da Avenida da Liberdade, a caminho da Rua Augusta. Cores e luxo. 

E no meio do caminho, tinha D. Pedro I, meu herói-vilão

O célebre Arco da Rua Augusta. Há quem diga que é mais bonito que o Arco do Triunfo, de Paris, mas eu acho que essas coisas não se comparam

As Ruínas vistas da parte baixa da cidade

E o Castelo de São Jorge visto das Ruínas

Aproveite que é fim da tarde e vá até as Ruínas do Carmo, aonde você pode chegar caminhando (para ser mais precisa, subindo um ladeirão típico português) ou, se preferir, pelo elevador da Santa Justa.

As Ruínas ficam lindas ao entardecer, é um excelente horário para ir até lá, especialmente se você gostar de tirar fotos. Vamos entrar?






Agora, vamos relembrar a história dessas ruínas

Não, elas não foram sempre ruínas. Um dia foram Igreja. A Igreja do Convento do Carmo, construção do século XIV em estilo neogótico. Lá ainda jazem religiosos em suas sepulturas.
Só que foram devastadas pelo terremoto de 1755 e o que restaram foram as ruínas: arcos e pilares da nave.
Triste história, mas História. Em vez de reconstruir a Igreja, ficam as ruínas a relembrar o quanto a humanidade pode ser pequena diante da força natureza.

O fenômeno de 1755 pegou o povo português desprevenido e devastou milhares de construções, sem falar nas mortes de pessoas. Porém, segundo conta Laurentino Gomes no livro 1808, serviu para o povo arregaçar as mangas e se reerguer, resultando, curiosamente, em um "surto de modernidade" em um país que parecia, até então, deitado em berço esplêndido.

São as tais grandes reerguidas que se fazem das dificuldades...

Hoje, as Ruínas são melancólicas como o fim de tarde. E, sobretudo, de sua delicadeza, emana a sua força. Afinal, apesar da devastação, vejam só como as estruturas essenciais estão firmes.

* * *

Depois de visitar as Ruínas do Carmo, uma volta pelo Chiado, onde tive um encontrinho com o Fernando Pessoa, cuja estátua fica em frente ao café A Brasileira.


Para finalizar, vou contar um segredinho. Lembra que mencionei, lá no começo, que tem um ladeirão entre a Rua Augusta e a parte do Chiado e Largo do Carmo? Então, para ir e vir esse caminho, há uma opção prática, divertida e curiosa... a super escada rolante subterrânea do metrô! Útil para quem já viu a paisagem externa e quer cortar caminho.



* * *
Texto de Érika de Moraes
Fotos: arquivo pessoal de Érika & Ronaldo

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Museu Nacional do Azulejo - Lisboa


Impressiona a dedicação que Portugal consagra à arte da Azulejaria.
Como não poderia deixar de ser, o Museu do Azulejo é uma das grandes atrações de Lisboa.

Fomos num fim de tarde, por volta de 17h, já que tinha compromisso antes com o Congresso do qual estava participando. O museu fecha às 18h, por isso tivemos uma hora para ver. Foi suficiente, embora eu não me cansasse de passar mais tempo apreciando cada detalhe das obras.

Como não há estação de metrô próxima ao museu, descemos na mais próxima (Santa Apolónia) e fomos caminhando. Uma boa pernada, mas a vantagem de caminhar é que você vai conhecendo mais cantinhos da paisagem urbana portuguesa. Teríamos pego um ônibus, mas estes demoram para passar. Pelo caminho, vi a indicação para o Museu das Águas, que fiquei bem curiosa para conhecer - mas terá que ser numa próxima viagem.

São três pisos de azulejaria para se encantar!

Destaque para os motivos religiosos 


O clássico em convivência com o moderno

No terceiro piso, azulejaria contemporânea

Silhar monumental de escadaria (1660). Proveniente do Convento de São Bento da Saúde.

Além dos azulejos, encantam os desenhos dos pisos de madeira 

Apaixonada por dança, não poderia deixar de amar este quadro. Lição de Dança. Willen van der Kloet. Amsterdam, 1707.

E eis que Fernando Pessoa surge no caminho. De Júlio Pomar (1926)


Madre de Deus - um encanto a parte

Dentro do Museu dos Azulejos, fica uma belíssima igreja, a Madre de Deus. Excepcional não tanto pelo seu tamanho (pequena, se comparada à Igreja do Mosteiro dos Jerônimos), mas pela suntuosidade de seus materiais: azulejaria e madeira talhada a ouro. Vê-se tudo rico e dourado.




O Mosteiro de Madre de Deus foi fundado em 1509 pela Rainha D. Leonor (1458-1525), conhecida como a "Rainha Perfeitíssima", também fundadora das Misericórdias e de hospitais.

Por fim, Chiado...

Após o Museu do Azulejo, corremos para o Chiado, onde veríamos o espetáculo "Fado in Chiado" das 19h. Ali pertinho, fica a Cervejaria Trindade, onde, já bem cansados, nós jantaríamos e faríamos o brinde da noite. Merecido, pois eu estava mais do que feliz com a receptividade por parte dos estudantes portugueses quando, pela manhã, apresentei meu trabalho sobre o Brasil.

O meu é água, sim, senhor, que gosto mais do sabor 

Arte em Azulejo até na cervejaria! Esta que, aliás, já foi um mosteiro.

* * *
Serviço:
O Museu Nacional do Azulejo fica na Rua Madre de Deus, nº4.
Terça a domingo: das 10 às 18h (última entrada às 17h30)
5 Euros por pessoa. Mais informações no site oficial.

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Texto de Érika de Moraes
Fotos: arquivo pessoal de Érika & Ronaldo

domingo, 26 de janeiro de 2014

Oceanário de Lisboa

Cores do mar

É certo que há muitos lugares históricos e tradicionais a conhecer em Lisboa, mas asseguro que vale muito a pena dedicar um momento ao Oceanário.

É simplesmente lindo ver tantas espécies marítimas, tantas cores; emocionante ver as lontrinhas nadando de costas.

Trata-se de uma excelente opção de passeio para quem viaja com crianças; para elas, certamente será um dia empolgante e inesquecível. Mas também para casais apaixonados, grupos de amigos ou qualquer um que não tenha perdido a criança dentro de si.

Resista ao encanto das Lontras se for capaz! 
Elas nadam de costas e abrem a boquinha para o alimento entregue pelo tratador


Se o Acqua Mundo do Guarujá já é bem legal, imagine o oceanário de Lisboa, que é o segundo maior do mundo, com espécies representantes de todos os oceanos e ambientes cuidadosamente reconstituídos!!!

O slogan do Oceanário é "Sempre diferente". Afinal, além da exposição permanente, sempre tem uma novidade. Quando estivemos lá, em dezembro de 2013, a exposição temporária era sobre Tartarugas-Marinhas.

Encontrando Nemo

Não vai faltar vontade de trazer uma lontrinha para casa. O bom é que pode adotar uma de pelúcia! Mas, prepare-se: os bebês lontras comem bastante!

Adoção

Falando sério, segundo o Guia Oceanário de Lisboa, essa espécie fofinha tem um "apetite voraz" e se alimenta à base de camarão, sapateira, amêijoa e lula. Mas isso tem uma boa explicação! É que as lontras-marinhas não possuem camada de gordura sob a pele e, assim, para manter a temperatura constante, precisam consumir cerca de 25% do seu peso. Seria como se um adulto de 60 quilos se alimentasse de... 15 quilos de comida por dia!

É por não possuir essa camada adiposa que as lontrinhas cuidam muito bem do seu pêlo, essencial para sua sobrevivência. Elas espalham nele uma gordura, produzida na epiderme, para torná-lo impermeável, facilitando a flutuação. Ou seja, enquanto as bichinhas nadam com aquela cara de preguiça, estão também realizando um cuidado essencial.

Se estiver com tempo, aproveite para explorar a região da Estação Oriente, que fica próxima ao Oceanário e tem outras atrações por perto, inclusive um grande shopping.


Arredores do Oceanário, em Lisboa


Aposto que você vai adorar desvendar outros mistérios do fundo do mar!

É, os mares sempre despertaram um encanto especial nos portugueses...

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Texto de Érika de Moraes
Fotos: arquivo pessoal de Érika & Ronaldo

domingo, 19 de janeiro de 2014

Quatro Castelos Portugueses em um dia

Você tem apenas um dia para visitar alguns castelos próximos a Lisboa? Então, vamos começar cedo e conhecer quatro deles!

Partindo de Lisboa, pegue um trem para Sintra, por volta de 8 da manhã. Desça primeiro em Queluz, onde o famoso castelo no qual nasceu e morreu D. Pedro I abre logo às 9 da manhã.

Da estação de Queluz, é possível caminhar por uns 10 a 15 minutos até o castelo ou, se preferir, pegar um táxi.

Na minha opinião, Queluz é um dos mais bonitos, pelo seu aspecto mais tradicional e por tudo que representa.


Vistas de Queluz (confira outras no post abaixo)


Detalhes do Canal de azulejos no jardim de Queluz

Érika & Ronaldo no Canal dos Azulejos, jardim de Queluz

Queluz: fontes inspiradas em Versalhes

Feita a visita em Queluz, ambientes internos e externos, retorne à estação para pegar novamente o trem, desta vez até Sintra.
Em Sintra, uma boa pedida é começar pelo Palácio Nacional, que é uma graça e já fica próximo ao Centro Histórico.

Os dois cones brancos, que dão charme ao Palácio Nacional, perdem um pouco do glamour - mas não do encanto - quando você descobre que são a chaminé da cozinha 

Azulejaria e tetos suntuosos

É hora, então, de parar para uma refeição, que pode ser um lanchinho no Piriquita, com o famoso doce travesseiro como sobremesa. (a sugestão é comer apenas um doce: é gostoso, porém beeeem doce)


Em frente ao Piriquita: o charme das ruas estreitas portuguesas

Depois, é hora de conhecer o famosíssimo Castelo da Pena, que, repleto de cores e torres, é realmente lindo de se ver. Costuma-se dizer que é o mais bonito (talvez por isso, o mais lotado de turistas). Eu, particularmente, embora tenha gostado de todos, fiquei mais tocada com Queluz.

Para o Palácio da Pena, é necessário pegar um ônibus que passa pelo Centro e sobe a montanha que leva até o Castelo.


As cores do Palácio da Pena ficam ainda mais vivas com o céu azul. Fomos presenteados pela Natureza!



Do Palácio da Pena, descemos a pé até o Castelo dos Mouros. Havia a opção de pegar o ônibus, mas não compensaria esperá-lo, ainda mais porque já havia uma fila grande no ponto. Deixar o dos Mouros por último revelou-se uma opção inteligente, pois, na volta, conseguimos pegar o mesmo ônibus mais vazio no ponto dos Mouros. Trata-se de um ônibus que faz um trajeto circular: do centro para Mouros e Queluz; de lá para o Centro.

O Castelo dos Mouros é mais rústico, sem ambientes internos, com escadarias - muitas e muitas - de pedras. Para quem já estava fazendo a quarta visita do dia, haja coração e perna!



Confesso: aqui, eu já estava entregando os pontos ao cansaço. Mas as vistas são compensadoras! 

Para conseguir ir aos quatro castelos, é imprescindível usar tênis. Eu vi umas moças com botinha de salto - aí é você quem sabe...

Ainda há mais coisas para visitar em Sintra, mas em um dia e com qualidade, creio que não dá mais tempo. Tínhamos a opção de retornar à Lisboa, ou pegar um ônibus para conhecer Cascais, ainda que rapidamente. Como encontramos o ônibus no ponto, fomos para lá. O trajeto foi demorado, quase duas horas em uma tarde quente. Com fome, paramos num shopping para lanchar, ainda deu tempo de ver o entardecer na praia, antes de pegar o trem para Lisboa.

Cascais

OBS. A rigor, os três primeiros são Palácios; somente o dos Mouros é chamado Castelo. Licença poética, ok?

DICAS PRÁTICAS:

- Na estação de trem, em Lisboa, compramos bilhete individual que dava direito a usar todo o trajeto de Lisboa a Sintra-Cascais, incluindo a descida em Queluz e o ônibus de Sintra que levava ao Palácio da Pena. Vale a pena pelo custo e pela praticidade.

- No Palácio de Queluz, o primeiro que visitamos, compramos um bilhete válido para quatro atrações: Queluz, Palácio Nacional de Sintra, Palácio da Pena e Castelo dos Mouros. Mais uma vez, compensa pelo preço e especialmente pela praticidade, economizando eventuais filas nos castelos seguintes.

- Quatro castelos em um dia é um projeto bacana e que exige pique. Dedicamos cerca de duas horas a Queluz e uma hora e meia a cada um dos outros, vendo detalhes e não apenas "passando o olho". Por outro lado, quem tem mais dias para viajar pode aproveitar para visitar o máximo de dois castelos por dia, com mais tranquilidade e tempo para apreciar cada detalhe. Trazer os livros sobre os castelos é uma ótima forma de continuar a visita e a descoberta depois de voltar para casa.

- Vi muitas pessoas com mais idade e cheias de pique, outras com carrinhos de bebê durante o passeio. Ou seja, tudo é possível, mas prepare-se, especialmente para as escadas dos Mouros.

Texto de Érika de Moraes
Fotos: arquivo pessoal de Érika & Ronaldo

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