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Hibisco Roxo e a magia da leitura

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Silenciosa.  Assim é a doce Kambili, nigeriana de 15 anos. O silêncio de quem não quer incomodar a imperfeição do mundo ou, em outras palavras, não quer perturbar o mundo com suas feridas e sussurros interiores. Kambili é de família rica ( como assim, rico tem sofrimento? ). Seu pai é benfeitor querido do povo, reconhecido omelora , Aquele que Faz pela Comunidade. Enquanto Papa fazia pela comunidade, o avô, pai do Papa, andava desnutrido e de shorts puídos, já que não merecia benfeitoria por ser “pagão”. Pagão ou tradicionalista, porque tudo sempre tem ao menos dois lados e diversos matizes e, para tristeza de Deus, crença cega sempre trouxe desavença. O Papa também batia na Mama – espancava, na verdade, cenas que a narradora descreve de modo tão sutil que eu, leitora, quase chego a pensar que minha interpretação está equivocada, que estou imaginando demais. Será possível? De onde minha mente levanta essa cruel hipótese? (Pausa para reflexão. Havia lido uma reportagem em ...

O caso da contaminação de leites infantis por Salmonella

O caso da contaminação de leites infantis por Salmonella - e o que pode nos ensinar - Empresas privadas e Estado - Quem vigia os vigilantes? O caso teve repercussão na França em 2017, não se limitando a este ano e país, já que a empresa envolvida é uma grande exportadora, inclusive para o Brasil.   Naquele ano, inúmeros pais e mães deram entrada em hospitais infantis com seus bebês apresentando quadro grave de diarreia e vômito. Evacuando sangue, os bebês encontravam-se fracos e desidratados. Os primeiros diagnósticos não suspeitaram da Salmonella. Quando descoberta a presença da bactéria, a primeira suspeita recaía sobre a falta de higiene no manuseio da alimentação do bebê. Houve demora até ser detectado que o problema estava no leite em pó infantil (o único alimento que a criança então consumia!), vendido em farmácias e com receitas médicas, o que só agravava o quadro. Os aspectos complexos desse caso foram tratados em várias reportagens e, recentemente, no do...

Bibliothéque (en France)

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Sala de estudos na biblioteca da Université Paris-Sorbonne Quando temos a oportunidade de nos aproximar de outras culturas, uma das melhores experiências é observar. Simplesmente observar, sem achar que a outra é melhor ou pior do que a nossa. Refletir. Algo que observo na vida acadêmica daqui (Paris, França) é a importância das bibliotecas como espaços de estudo. Nas aulas a que assisto (mestrado ou graduação – como um estágio para mim), o professor propõe reflexões. Os alunos mantêm uma postura respeitosa: anotam, fazem perguntas quando têm interesse, não comparecem e arcam com a ausência quando não tem. E é nas bibliotecas que o aprendizado se solidifica, ambiente intenso de estudo e concentração. A meu ver, a beleza histórica desses ambientes contribui muito para esse foco, inspira. O professor é importante, porque sinaliza caminhos, mas ele não mastiga nada. No exame, as salas lotam, o professor cobra – faz parte. Os jovens universitários são como quaisquer outros: sentam...

Paris em 3 dias

Esse roteiro foi feito pelo casal Érika & Ronaldo, a pedido de um amigo que só tinha 3 dias para visitar a bela Paris e precisava de sugestões bem práticas. PRIMEIRO DIA: A sugestão é pegar o metrô e descer na Champs-Elysées , caminhar até o Arco do Triunfo e subir lá para ver a vista (pode comprar o passe antes na Fnac na própria Champs Elysées ou usar o Paris Museum Pass), depois caminhar a pé até a Torre Eiffel . Da Torre, pode seguir para o museu D'Orsay - de metrô ou batobus. Batobus é o mais legal para ir curtindo o Rio Sena ! De lá, pode ir ao Jardin de Louxembourg . SEGUNDO DIA: Se gostar de museu, ir ao Louvre logo pela manhã. Depois, passear pelo jardim do Louvre , pode lanchar no próprio jardim (tem barracas de crepe, por exemplo). Se der tempo, tomar chocolate Angelina , na rua lateral do Louvre. De lá, pode ir à praça do Concorde , em frente ao jardim, caminhar até igreja Madeleine , ir às lojas de macarons da região: Fauchon et Laudurée. TERCEIRO DIA:...

O Incrível Hulk Azul

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O Incrível Hulk Azul (Sobre crianças, trabalho, profissões...) - Vem na minha casa, tia! - A tia logo vai! - Vem amanhã! - A tia vai daqui uns dias, antes tem que trabalhar. - Pra ganhar din din, né! Você traz um Hulk azul? A mamãe dele já explicou que não é para pedir as coisas. Mas é compreensível, ele só tem dois aninhos. E eu faço parte do ainda pequeno círculo de pessoas que, ele sabe muito bem, o querem feliz e amado. E observem o que ele pediu primeiro: presença. Claro que a titia apaixonada está doida para encontrar um Hulk azul (ele me disse que tem “na barraquinha”), mas parece que ele me escolheu para uma missão um pouco difícil (será que vale pintar um verde com tinta azul? Ou escolher um Smurf bem bravo com cara de Hulk?). Para quem não está atualizado, já existe Hulk vermelho, o que deve ter levado meu sobrinho a imaginá-lo de todas as cores. A história do Hulk me fez pensar sobre como vamos construindo a ideia de trabalho nas crianças. O primeir...

Reinos desunidos

O resultado do referendum inglês pela saída do Reino Unido da União Europeia – o chamado Brexit – trouxe ao mundo a sensação de estar presenciando um daqueles momentos históricos em que a linha do tempo irrompe em um marco. Em tais circunstâncias, não é difícil esquecer que a história de fato é constituída nas peculiaridades do dia a dia de cada cidadão. Qual a semelhança entre a experiência inglesa e a brasileira nas últimas eleições? Ambas trazem à tona as benesses e as controvérsias da democracia: esta não é a vontade de todos, mas de uma maioria. É questionado, porém, o próprio conceito de maioria quando os resultados mostram sociedades divididas. Por um lado, a democracia tem a sua legitimidade (e qual seria a alternativa a ela, se não a de recair em regimes totalitaristas?), por outro, um resultado como o britânico – 51,9 a 48,1% – representa um empate técnico. E, havendo empate, existe realmente a vontade de uma maioria? Ou existem vontades opostas que convivem no mesmo tem...

Língua, ideologia e empoderamento

O dia da Língua Portuguesa (5/5) é uma oportunidade para refletirmos sobre o significado social e político da linguagem em nossas vidas. Língua (não só a portuguesa) não se resume a um conjunto de normas de padronização (embora tais normas tenham funções importantes em termos de unidade e historicidade). Dizer que a língua não se resume às normas não implica negá-las ou minimizar a importância de aprendê-las, mas mostrar que seu conceito é muito mais amplo. Tomemos como exemplo o tema da aprovação, por deputados do estado de Alagoas, de lei que obrigaria professores a manter “neutralidade” em sala de aula, impedindo-os de “doutrinar” alunos em assuntos políticos, religiosos e ideológicos. Além da inconstitucionalidade, que pode ser discutida em âmbito jurídico, tal lei parte de um pressuposto equivocado, o de que existiria uma forma de linguagem desprovida de ideologia. Com o nome “Escola Livre”, uma lei como essa, a rigor, imprime a censura nas salas de aula. Assim como a censura...