domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cinco lugares especiais da capital paulista

“Alguma coisa acontece no meu coração...”

Quando São Paulo e Rio concorriam para sediar os jogos olímpicos, de ares cariocas veio o seguinte argumento, citando famoso poema de Vinícius de Moraes: ‘beleza é fundamental’. A resposta surgiu com trecho de Caetano: ‘Narciso acha feio o que não é espelho’. Disputas à parte (aquela, o Brasil perdeu), cada uma das cidades tem as suas maravilhas (e feiúras...).

Meu último fim de semana foi dedicado a apreciar belezas da capital paulista. E, com a energia de quem precisa aproveitar o tempo antes de voltar para o interior, estive em cinco lugares preciosos, num único sábado. Cada um pode fazer seu roteiro, há muito o que ver. Há sempre a vontade de voltar.

São Paulo é uma capital de Arte. Eu sei, há violência, trânsito caótico, etc., mas não só. Por um lado, há o metrô facilitando a vida, por outro, o acidente terrível nas obras de ampliação das linhas em 2007. De qualquer forma, tem Museu do Ipiranga, Ibirapuera, Masp (sem alarme...), Sala São Paulo, Teatros. Mas, hoje, minha homenagem à terra da garoa fica para os cinco lugares visitados nesse sábado de fevereiro.

Começo da manhã. Pinacoteca do Estado. Só de entrar na grandiosa construção de tijolinhos, ver as esculturas, já vale a pena. Mais ainda quando há uma exposição de uma artista brasileira do porte de Tarsila do Amaral. Uma grande motivação para correr a São Paulo: ver, ao vivo e em cores bem características, o famoso Abaporu que, atualmente, tem morada fixa na Argentina. Mas, se Abaporu é a obra mais conhecida, é difícil saber o que toca mais. Manacá, Romance, Calmaria II, Operários...

... A Cuca, Carnaval em Madureira, O Mamoeiro, Religião brasileira, A Feira II... nesses, há tantas cores que se pode duvidar da idéia segundo a qual (simplificando muitíssimo), de uma mistura exagerada de tintas, o resultado é necessariamente ‘brega’. A obra de Tarsila, artista com ampla formação no exterior, demonstra orgulho brasileiro. Daí a Antropofagia e tudo o mais...

Para constar: manuscritos, grafites e nanquins de Tarsila estiveram em Bauru, em 2007, numa exposição no Alameda Quality Center. Em São Paulo, a diversidade de telas vem acompanhada desses ‘complementos’ não menos interessantes. Então, quem puder, vale a pena conferir. Na Pinacoteca, até 16 de março.


A Cuca (Tarsila) traz saudade de infância.

Atravessando a avenida da Pinacoteca, chega-se ao Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em março de 2006. E quem disse que língua vive em museu? Ela circula, pulsa, se renova. E é justamente essa a idéia do local. Quem não se convence por argumentos de lingüistas, pode dar uma espiadinha no gráfico que mostra a origem da língua portuguesa, uma ramificação do latim vulgar. Quem sabe... Mas não precisa ir (só) para teorizar. Vá apreciar a experiência sensorial da poesia. Há coisas para ver/ouvir/sentir um dia todo, se houver tempo. Desta vez, não tive tanto. Mas voltarei.


Em exposição no Museu da Língua Portuguesa. Pense diferente! O “errado” pode ser o “certo” em algum lugar ou tempo...

Entre Pinacoteca e Museu, uma respirada no Parque da Luz.
Sim, São Paulo tem verde. E cinza. E mais tons.


Parque da Luz. Paisagem para apreciar de vários ângulos. Este foi clicado pela Dalila.

Hora de almoço e uma caminhada na Avenida Paulista. Ir a São Paulo e não dar uma passadinha por lá é como não “ver” a capital. Mas fui breve. Parada no Bristol. Afinal, era estréia do Johnny Depp nos cinemas, dirigido pela sexta vez por Tim Burton, em Sweeney Todd.

Bauruzinha, Bauruzinha, mais uma vez, não acompanhou uma grande estréia nacional. Sorte eu estar em São Paulo. Você sabe que aposto em você, terra-natal. Mas, vá lá... O mundo é maior. Bem maior que São Paulo.

Por fim, à noite, fui conhecer a Casa de Chá Egípcia Khan el Khalili. Já confessei interesse pela melhor parte da cultura do lado de lá. E põe ‘melhor’ nisso... Na Khan el Khalili, você saboreia um ritual com chás, pães, molhos, salgados, doces, bolos, sorvetes (ou outras opções à sua escolha), tudo entremeado com música árabe e dança do ventre, em salas tipicamente ambientadas. É esplêndido!

Obs. Minha irmã Dalila acompanhou-me nesses passeios todos. Haja pique!

Postado no meu blog do UOL em: 11/02/2008

Um comentário:

  1. Comentários recebidos:

    [Mariana] [magasri@hotmail.com]
    Érika! Adorei o seu blog... mal comecei a ler e já sou fã! Adorei essa dica de SP (acho que estou me apaixonando por lá também) e também as dicas de filmes (confesso que a loucura do mercado está me deixando "alienada" do mundo cultural - q horror!!) mas vou colocar o seu blog no meu "favoritos" para ficar mais antenada (lê-se, menos bitolada com a correria do dia-a-dia). Depois vou parar um tempinho para ler os artigos de linguística (minha sempre, grande, profunda e infelizmente guardada, paixão). Bjos e saudade!
    28/02/2008 22:39

    [Antonia] [antonia-moraes2006@ig.com.br]
    Olá minha querida, adorei seu blog e fiquei orgulhosa de seus textos, e a riqueza de conhecimento e estudos principalmente quando "alguma coisa acontece em meu coração", é lindo. beijos Tia toninha.
    25/02/2008 10:01

    [Fabiana] [fa-mique@uol.com.br]
    Oi Érikinha, uma delícia o seu texto sobre Sampa! me deixou cheia de nostalgia... ah, q saudade!!!! não dá pra ficar indiferente a SP, né? pra mim, é um caso de amor verdadeiro!!! não deixe de postar outros textos sobre as suas andanças, com fotos e dicas... quem sabe algum sobre Brasília, hein?!?!?! Bjos e saudades!
    14/02/2008 09:01

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