domingo, 7 de fevereiro de 2010

Perdido, entre mulheres

Republicando...


O Passado, de Hector Babenco. Warner Bros. 2007.


Esperei cerca de dois meses após a estréia nacional até que O Passado chegasse a Bauru. Estava ansiosa, já que gosto de filmes intimistas e que fogem um pouco do circuito hollywoodiano. Mesmo com o Multiplex e o Cine’n Fun (que, por sinal, turbinaram o lazer cultural da cidade), às vezes, ainda acontece por aqui o efeito “arrasa-quarteirões em quase todas as salas”. Nada contra Piratas do Caribe (aliás, tudo a favor do Johnny Depp).
O Passado é desses filmes que deixa a gente pensando no que aconteceria depois do final (se fosse verdade...). O que teria feito Rímini (Gael García Bernal) após resolver a pendência das fotografias com Sofia (Analía Couceyro)? Ido embora, à procura de Lúcio, o filho?
Rímini passa a impressão de um cara que teve um único romance de adolescência, até que despertou para a vontade meio pueril de viver novas experiências amorosas. E, literalmente, “catou” a primeira mulher que viu pela frente, Vera (uma ciumenta obcecada). Em seguida, apaixonou-se pela segunda com quem teve contato, ao que parece, imbuído por uma admiração por ela como profissional. Dali, poderia ter se fixado numa relação madura, como pai e marido. Porém, Sofia, a ex, estava sempre no caminho para desestabilizá-lo.
Houve uma incrível “desindividualização” do protagonista após o término do primeiro casamento: aos poucos, ele foi perdendo o trabalho, mulheres, filho... as palavras, a memória!
As mulheres – principalmente, Sofia – desestabilizam, mas, ao mesmo tempo, dão equilíbrio a Rímini. Ele não agüenta viver sem elas; sozinho, vai às ruínas. Quando consegue se reerguer e tomar um novo rumo, é logo posto à prova por uma louca qualquer, a aluna carente da academia que trata os homens como objeto. Quanto mais luta por uma independência -- o que começou com o rompimento do casamento com Sofia -- menos maturidade alcança para uma vida autônoma. Então, as mulheres se mantêm no controle, mesmo quando enfraquecidas. Sofia e Vera soam magnificamente “almodovorianas”. Já a tradutora Carmen representa uma imagem de mulher mais sensata, tanto que some da história diante do ato irresponsável de Rímini. Vera só o deixa com a morte. E Sofia é um eterno fantasma.
Rímini é o bonitão que se faz de fantoche na mão das mulheres.

Obs. Minha amiga Fabiana, com quem troquei e-mails sobre o longa, fez uma leitura bem interessante sobre a pendência das fotografias. Vou esperar que ela comente aqui no blog...

Obs. 2: A Fá é fã do Gael García Bernal. Combinamos que não vamos brigar, pois a “minha” vaga de “ator queridinho” está ocupada pelo Johnny desde Don Juan De Marco. Sabemos que Léo e Ronaldo são suficientemente maduros para não terem ciúme. Mas, caso sobre uma pontinha, podem se consolar com o fato de que os astros não estão muito perto daqui. É que nós, doutorandas, somos gente comum: também amamos namorados/maridos e temos nosso momento “tiete”.

Postado no meu blog do UOL em: 27/01/2008

Um comentário:

  1. Comentários recebidos:

    [Serjones] [biscaldi@terra.com.br] [www.coracao-envenenado.blogspot.com]
    Gostei mto do filme e ficaria extremamente feliz se pudesse ler o livro. Não quer me dar de presente? hahaha O meu cunhado é a cara do Gael, acredita?
    08/03/2008 23:07

    Fabiana] [fa-mique@uol.com.br]
    Érikinha, Já que mencionou em seu post minha leitura sobre a pendência das fotos, aproveito para dividi-la também com os leitores do seu blog. Como você disse, “O Passado” nos faz pensar sobre o que aconteceria depois do final. Confesso que me interessei mais pelo destino de Sofia. Afinal, o que faria Sofia após resolver a pendência das fotografias com Rímini? Conseguiria se livrar do passado? Me pareceu que sim, que Sofia ficou “livre” do passado (se é que isso é possível de verdade...o passado passa?) no momento em que Rímini se dignou também a "olhar" para aqueles 12 anos que viveram juntos! A pendência das fotografias pode funcionar no filme como uma metáfora (em uma cena, Sofia diz que Rímini não pode deixá-la sozinha com todos aqueles fantasmas!). A recusa de Rímini em voltar ao passado (olhando as fotografias), em dividir com ela as suas lembranças, os seus “rastros”, era insuportável!O passado não a deixava em paz!

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