terça-feira, 26 de janeiro de 2016

CRÔNICA - O ano em que avistamos uma nova primavera

Crônica politizada da minha aluna Gabriella Soares dos Santos (Jornalismo / Unesp) sobre o louco ano de 2015.
Profa. Érika

O ano em que avistamos uma nova primavera

por Gabriella Soares dos Santos 

Analisando as principais manchetes dos jornais de 2015, consigo observar que esse foi um ano dramático e que ficará marcado para todos, seja pelos seus momentos positivos, seja pelos negativos. Nesse sentido – e admito de início: assumo aqui uma postura positiva –, é impossível não perceber que esse ano significou um marco para os mais diversos movimentos e as mais diversas causas ao redor do mundo.
Vimos atentados terroristas abalarem os pilares da democracia ocidental ao mesmo tempo em que testemunhamos o maior movimento migratório desde a Segunda Guerra Mundial com suas trágicas consequências. Vimos a corrupção em sua forma mais clara, junto com o mar de lama que dela se originou, destruir fauna, flora e vidas. Observamos e sofremos com a violência policial, que, de tão frequente, se tornou impossível de ser ignorada, seja contra negros nos Estados Unidos ou contra professores e alunos no Brasil. Nesse ano, vimos um pouco de tudo.
Entretanto, foi também em 2015 que presenciamos uma nova primavera dos povos, como muitos colocaram. Mulheres, homossexuais, negros, trabalhadores, cidadãos: todos eles tomaram as ruas e promoveram ações para defender seus direitos assim como aquilo em que acreditam. A população tomou as ruas em São Paulo contra o aumento das tarifas de transporte; no Paraná, os professores lutam pelos seus direitos trabalhistas, enquanto no Chile são os alunos que tomam as ruas pela educação; as mulheres são firmes e constantes ao reivindicarem seus direitos individuais, políticos e sociais em todo o mundo e em Nova York vemos a questão negra voltar a ser central.
O sentimento que prevalece após esses acontecimentos é a esperança de que essa nova Primavera tenha um caráter muito mais duradouro do que suas antecessoras. Que as demandas expressas no ano passado não sejam colocadas em prática de forma tão efêmera e descompromissada como ocorreu nas revoluções liberais de 1848. Também é um desejo que vejamos resultados mais animadores do que aqueles que a maioria dos países que participaram da primavera árabe podem observar atualmente, seja no contexto político, social ou dos próprios direitos humanos. O melhor fruto que pode vir do protagonismo dos movimentos sociais nesse último ano é a possibilidade de não termos como voltar atrás, é a possibilidade de não retrocedermos; é o maior desejo de qualquer um que esteja lutando ou que saiba valorizar a luta por uma sociedade verdadeiramente democrática.
Quero acreditar que a única opção lógica que nos resta é seguirmos em frente. Não vejo como uma alternativa fecharmos os olhos, não agora que eles foram abertos, escancarados, mesmo nos momentos e para aqueles que não desejavam. Ignorar a violência policial não é mais a única opção, pelo contrário. Se os acontecimentos no Paraná, em São Paulo, no Rio de Janeiro e nos Estados Unidos nos ensinaram alguma coisa é que o silêncio não é mais viável, ou pelo menos não deveria ser.


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